O governo “torce” para a queda dos juros da Selic, definidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Mais do que torcer, a questão é política e econômica, pois o chamado mercado financeiro diminuiu a projeção e acredita num corte de 0,75 ponto percentual.
Na vida real, no entanto, nem tudo é como diz o governo ou espera os economistas. Os juros praticados nos cartões de crédito e nos cheques especiais estão abusivos.
E quem deveria dar exemplo, é o que mais explora. O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal cobram algumas das maiores taxas. Entre os cinco grandes, o BB tem o maior juro no financiamento de veículos e a Caixa opera o segundo maior no crédito rotativo do cartão de crédito.
No fim de 2015, o Banco do Brasil tinha juro médio de 26,5% ao ano, o menor entre os cinco grandes bancos – BB, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander. Com a atual crise no setor automotivo, a demanda despencou e concorrentes reagiram com redução das taxas.
Levantamento publicado pelo Estadão indica que o juro médio do Santander caiu quase 5 pontos e atualmente, perto de 24%, é o mais competitivo do grupo, segundo dados do BC de 15 de setembro. Bradesco e Itaú reduziram taxas entre 1 e 2 pontos no mesmo período.
O BB subiu ligeiramente o juro para 27,2% e, diante da queda dos demais, agora concede o crédito com o maior juro médio. Na Caixa, o custo ficou praticamente estável e atualmente é o terceiro mais caro.
