Pelo menos dois fatos marcaram o Mercosul em 2016: a suspensão da Venezuela do bloco e o anúncio do Uruguai de que buscará um Tratado de Livre Comércio (TLC) com a China. Mas como eles podem influenciar o Mercosul em 2017?
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, esses acontecimentos poderiam dar margem a uma maior abertura econômica do bloco econômico. E eventualmente, até permitir uma aproximação do Mercosul com outros blocos – como a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, Peru e México) ou mesmo a União Europeia (com quem as negociações já se arrastam por muitos anos).
Especificamente em relação especificamente ao bloco europeu, há atualmente “vontade política” do lado sulamericano para avançar, na opinião dos economistas argentinos Raul Ochoa, da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade Tres de Frebrero (UNTREF), e Dante Sica, da consultoria econômica Abeceb.
Apesar da instabilidade política brasileira e do quadro recessivo tanto no Brasil quanto na Argentina, na visão dos economistas existe “maior sintonia” entre os dois parceiros que tradicionalmente costumam dar o norte desta integração fundada em 1991.
E essa “sintonia”, entendem, levaria o bloco a buscar alternativas, como novos acordos comerciais, para sair do “estancamento”.
O ex-embaixador do Brasil na Argentina José Botafogo Gonçalves disse à BBC Brasil que o bloco tem problemas que estão nas suas raízes – como regras dos tempos da sua fundação que, na sua opinião, ficaram desatualizadas.
“Muita coisa mudou desde a fundação do bloco. Naquela época não havia o fenômeno da globalização. Por isso, agora digo que o Mercosul deve ser reformulado e passar (a uma maior abertura comercial) aos poucos”, disse Botafogo.
