Operações da Polícia Federal – ao que tudo indica, a Operação Lava-Jato seguirá a pleno vapor pelos próximos meses. Novas etapas são aguardadas e o mundo político está cada vez mais preocupado com o processo em curso. As recentes delações da Odebrecht apenas elevaram a fervura e a tensão já reinantes. Trata-se de uma zona de risco.
Outras operações, como a Acrônimo, poderão trazer novidades. Por último, novas frentes de investigação estão sendo abertas, muitas delas focando prefeituras municipais.
Protagonismo do Judiciário – a chamada “judicialização da política” vem crescendo no Brasil nos últimos anos, e o fenômeno pode se acentuar ainda mais em 2017. Ações de grande impacto afloram nos tribunais superiores, em especial no Supremo Tribunal Federal, e a agenda de 2017 já reserva fortes emoções.
Não apenas as ações resultantes da Operação Lava-Jato, como referentes às delações de executivos da Odebrecht, serão destaque nos próximos meses. O processo sucessório na Câmara dos Deputados tem grandes chances de acabar na Corte, com impacto direto sobre o processo sucessório. Outras questões de impacto fiscal para a União, os estados e o Tesouro Nacional também serão discutidos. Os ministros do STF, mais e mais, vão se tornando quase “pop stars” reconhecidos nas ruas por todos os brasileiros.
Economia – a crise econômica, que afeta a todos os brasileiros, deverá seguir em 2017. Com doze milhões de desempregados, o país parece testar o limite de todos. O mais recente Boletim Focus, elaborado por economistas do mercado financeiro, não traz boas notícias – crescimento do PIB de apenas 0,5%, após uma queda de 3,49% em 2016, com inflação de 4,87%. Na avaliação de especialistas, ao menos o primeiro semestre repetirá o ano que se encerrou. Alguma recuperação, apenas no segundo semestre.
Além do drama que gera nas empresas e nas famílias, a crise econômica tem impacto direto sobre a política. O governo Temer precisa apresentar resultados concretos, com recuperação do crescimento, dos empregos e da renda. Do contrário, mais turbulência será sentida no curtíssimo prazo. Não há espaço para erros e a equipe econômica, Henrique Meirelles à frente, precisa mostrar a que veio.
Donald Trump presidente dos Estados Unidos da América – a posse de Donald Trump em 20 de janeiro próximo representará um marco na política norte-americana e mundial. Um outsider em seu partido, o Republicano, o empresário-presidente alterará radicalmente as diretrizes dos últimos oito anos da política de seu país.
O trabalho e o projeto de Barack Obama serão rapidamente revisados. Políticas públicas de forte impacto social, como o “Obamacare” (saúde), deverão ser revertidos. A agenda internacional também sentirá as mudanças – os recentes atritos com a Rússia e com Israel serão objeto de revisão e as relações entre esses países voltarão a um patamar de menor tensão. A recente aproximação com Cuba também sentirá as mudanças.
Trump igualmente será mais duro com os imigrantes. Na política norte-americana, a temporada novamente será dos “falcões”. Com um Congresso amplamente favorável (Republicano nas duas Casas), o novo presidente terá plenas condições de implementar sua agenda.
Avanço do conservadorismo/França – a onda conservadora se espalha pelo planeta e, ao que tudo indica, começa a estabelecer um novo ciclo na política mundial. Após o êxito de Donal Trump nos Estados Unidos da América, outro país-chave poderá ter no comando um político de perfil de direita.
Entre abril e maio, a França elegerá seu novo presidente. Com os partidos de esquerda divididos, são reais as chances de vitória de Marine Le Pen, da Frente Nacional, que representa a extrema-direita no país. Observadores da cena política francesa dão como muito provável a vitória da candidata, o que mudará de maneira dramática a correlação de forças não só na França, mas na Europa como um todo.
É importante se acompanhar com atenção o pleito francês, que terá impacto também no Brasil.
Terrorismo – o mundo torna-se, a cada dia que passa, mais inseguro e toda a humanidade está exposta aos danos causados pelos terroristas, sejam eles grupos organizados (ISIS, Al-Qaeda, etc.) ou os chamados “lobos solitários”. Os recentes atentados em Berlim e Istambul deixam claro que o fenômeno é real e está longe de ser minimamente contido. Os governos precisam agir de maneira mais incisiva, e com mais inteligência, para evitar um aumento na já crescente onda de atentados pelo planeta. O Brasil não pode ficar de fora desse debate e da eventual ação dele decorrente.
