Os níveis crescentes de percepção da corrupção e da desigualdade social criaram um terreno fértil para o aumento do número de políticos populistas em 2016, disse a entidade global Transparência Internacional (TI) nesta quarta-feira, em relatório anual que registra uma queda de três posições do Brasil no ranking dos países avaliados.
A TI disse que grandes casos de corrupção, como o esquema investigado pela Operação Lava Jato no Brasil, mostram como recursos públicos estão sendo desviadas para beneficiar poucos, alimentando a exclusão social, informou a Reuters.
A nota do Brasil caiu no índice nos últimos cinco anos devido a uma série de escândalos de corrupção, mas a TI destacou que as autoridades de combate à corrupção começaram a levar à Justiça aqueles antes considerados intocáveis.
O Brasil caiu no ranking de 2016 para o 79° lugar na atualização anual do relatório ante o 76º posto ocupado no ano anterior.
O relatório do grupo disse ainda que o Catar teve a maior queda na confiança em 2016 na esteira de escândalos envolvendo dirigentes da Fifa e relatos de abusos de direitos humanos em obras da Copa do Mundo. A Somália foi a última da lista pelo décimo ano.
Segundo a TI, líderes populistas como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a candidata presidencial francesa Marine Le Pen denunciaram elos entre uma “elite corrupta” e a marginalização da classe trabalhadora com, mas normalmente os partidos antissistema não têm sido capazes de atacar a corrupção quando ocupam o poder, disse o grupo.
