A vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ), reeleito presidente da Câmara dos Deputados, consolida o grupo ora no poder. Ideologicamente sintonizado com o Planalto, o bloco de sustentação de Maia (em especial o PSDB, o DEM e o PMDB) dá, em tese, garantias para que a agenda governista avance na Casa.
O grande derrotado no processo foi o Centrão. O bloco partidário teve apenas 105 votos destinados a seu candidato, Jovair Arantes (PTB/GO), o que evidencia a perda de relevância política do grupo. Ao Centrão resta tentar se reposicionar no tabuleiro político da Câmara. A força de seus integrantes, porém, não será a mesma nos próximos dois anos.
.A agenda da Câmara, a partir de agora, ganhará uma nova dinâmica. As matérias de maior interesse do Planalto, como as reformas da Previdência e Trabalhista, entrarão em definitivo na Ordem do Dia.
A exemplo da Câmara, a eleição de Eunício Oliveira (PMDB/CE), novo presidente do Senado Federal, consolida o grupo no poder. Com amplo apoio de quase todos os partidos, inclusive do PT, Oliveira dará sequência ao trabalho até então conduzido por Renan Calheiros (PMDB/AL). As atenções se voltam agora para as presidências das comissões da Casa. A de Constituição e Justiça, em especial, é objeto de disputa dentro do PMDB, mas um acordo interno será celebrado nos próximos dias.
O Planalto conduziu com habilidade o processo sucessório nas duas Casas. Sem se expor em excesso, o presidente Michael Temer e seu núcleo político obtiveram êxito e, agora, farão avançar sua agenda. A oposição, por seu turno, perde ainda mais espaço e terá de revisar suas estratégias políticas.
No âmbito do Supremo Tribunal Federal, a escolha do ministro Edson Fachin para a relatoria da Lava-Jato é um claro indicativo de que o processo não sofrerá alterações de curso. Tal qual o falecido ministro Teori Zavascki, Fachin tem perfil discreto e será célere e preciso na condução dos trabalhos. Resta agora a definição do novo ministro, o que será anunciado em breve pelo presidente Temer.
