Ícone do site Misto Brasil

Viagem à Fordilândia, a cidade perdida na Amazônia

A selva amazônica já engoliu o Campo de Golfe Winding Brook. As inundações devastaram o cemitério, deixando para trás um arsenal de cruzes de concreto. O hospital de 100 camas projetado pelo aclamado arquiteto de Detroit Albert Kahn? Os saqueadores a destruíram.

Assim começa uma extensa reportagem do The New York Times, assinada por Simon Romero e publicada nesta terça-feira. O repórter fala de Fordilândia, cidade fundada em 1928 pelo industrial Henry Ford nos confins da Bacia do Rio Amazonas

Romero diz que embarcou em um barco este ano em Santarém, um posto avançado na confluência dos rios Amazonas e Tapajós, e fez a viagem de seis horas até o lugar onde Ford, um dos homens mais ricos do mundo, tentou transformar a selva brasileira em um fantasyland do Midwest.

Hoje, duas mil pessoas vivem nas estruturas desintegrando construídas quase há um século. Estes dias, as ruínas de Fordlândia estão como testamento à loucura de tentar dobrar a selva à vontade do homem.

“Ford deliberadamente rejeitou conselhos de especialistas e se propôs a transformar a Amazônia no Centro-Oeste de sua imaginação”, escreveu o historiador Grandin em seu relato do Cidade.

No final da Segunda Guerra Mundial ficou claro que cultivar árvores de borracha em torno de Fordlândia não poderia ser rentável em face da praga das folhas e da concorrência da borracha sintética e das plantações asiáticas liberadas da dominação japonesa.

Depois que Ford mudou a cidade para o governo brasileiro em 1945, as autoridades transferiram Fordlândia de uma agência pública para outra, em grande parte por experiências infrutíferas na agricultura tropical. A cidade entrou em um estado aparentemente perpétuo de declínio.

A utopia fracassada atinge um acorde com estudiosos e artistas em outras partes do mundo. Fordlândia inspirou um álbum de 2008 do compositor islandês Johann Johannsson e um romance de 1997 de Eduardo Sguiglia sobre um aventureiro argentino que viaja aqui para recrutar trabalhadores de plantações.

Sair da versão mobile