Ícone do site Misto Brasil

Militares e o poder17

Texto de Vasconcelos Quadros

Uma fonte deste repórter na chamada comunidade de informações saiu-se assim diante de uma pergunta sobre o papel das Forças Armadas. “Os militares não derrubam mais governantes civis. Mas eles podem segurar ou não”.

A Constituição de 1988 define, no artigo 142 que Exército, Marinha e Aeronáutica “são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Pois bem, pode-se acusar Temer de golpista (e ele é), mas de bobo, não: colocou no comando uma marionete que, fora do palanque, tem tanta força quanto um filhote de gazela no meio de leões famintos, deixou os militares fora da reforma na Previdência e, de quebra, ainda aumentou em 36% o orçamento das Forças Armadas.
Não é necessário ser especialista para avaliar que as manifestações contra a reforma da Previdência, aliadas ao barulho que produzirá a segunda lista de Janot, vão elevar a temperatura política, com considerável probabilidade de conflitos até aqui adiados.

Na hipótese de graves confrontos, com eventual perda de controle por parte das polícias, quem entraria em cena? Ao contrário do que ocorreu no Paraguai – de onde nossos políticos importaram o “modus operandi” parlamentar para afastar Dilma -, tudo indica que não seria para remover o presidente.

O STF, que assistiu – como quem vai ao cinema – a conspiração se desenrolar até anular os votos dados pelo eleitor em 2014, pode até continuar respaldando as decisões de Curitiba, mas o poder de fato continua com os militares.

Eles já não dão mais golpes, é verdade, e até riem quando gente supostamente esclarecida ou com cabeça de colonizado, os chamam de volta. Sabem, no entanto, que os políticos temem os fantasmas de 64, entidades que, se o caldo entornar, podem se materializar, deixando a “trincheira” onde Temer os sentiu na sua brevíssima passagem pelo Alvorada. Eles devem estar satisfeitíssimos com o presidente.

 

Sair da versão mobile