Dono da gigante de cosméticos Natura, o bilionário brasileiro Guilherme Peirão Leal já tinha o nome sacramentado no rol dos empresários mais bem sucedidos do país, quando, em 2010, decidiu lançar-se candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva – da qual foi um dos principais patrocinadores, chegando a investir milhões de recursos do próprio bolso.
Em entrevista à BBC Brasil, Leal diz não se arrepender da incursão política (“Foi uma experiência positiva”), mas deixa transparecer desconforto quanto a revezes da empreitada.
O maior deles aconteceu no ano passado. Ele foi acusado por Léo Pinheiro, dono da empreiteira OAS, de ter pedido contribuição para a campanha de Marina Silva em 2010 via caixa-dois (recursos não contabilizados).
“Quando vi meu nome nas primeiras páginas dos jornais, com minha reputação ameaçada por inverdades, fiquei profundamente incomodado”, disse. “A política não é um campo fácil de se navegar”, opina.
O bilionário dono da Natura diz que não vai mais se candidatar a cargos políticos, porém afirma continuar engajado para mudanças no país.
“Continuo muito envolvido com as transformações aqui. Não quero morar em outro lugar, quero morar em outro Brasil. Obviamente, vivemos um momento muito delicado politicamente. Reconheço as dificuldades, mas não vou desistir do Brasil.”
“Acho que a gente busca sentido para a vida. Quero ajudar a construir uma realidade mais justa. Não dá para dormir tranquilo com tantos problemas no Brasil. Sozinho, não vou resolver nada. Mas meu sono é mais tranquilo sabendo que estou tentando fazer a minha parte.”
