Texto de Maurício Nogueira
“Se é para o bem geral da nação, diga ao povo que não fico.” Caso a expectativa de muitos é ouvir esse trecho em um pronunciamento do presidente Michel Temer no sentido de pedir para sair, muito provavelmente, não é o que teremos.
A senadores próximos, na manhã desta quinta-feira (18), Temer disse que não há menor possibilidade de renunciar. E que deverá se pronunciar somente após ter ciência do conteúdo do grampo produzido pelo Joesley Batista.
Caso renuncie ele perde o famoso foro privilegiado. E, portanto, o “eu não vou cair” dito pelo presidente, continua a falar mais alto para Temer. Para Temer, no mínimo, ainda, o caminho trilhado para colocar a economia em movimento não pode ser abortado.
No entanto, no momento conjuntural político-econômico insustentável no qual Temer se encontra, o mercado está nervoso. Dólar se encontra em plena decolagem. E a bolsa vai caindo no mesmo ritmo das ações da JBS aqui dentro e no exterior.
Em tempo, o nome da Operação Patmos, uma referência bíblica, é a ilha onde foi feita revelação ao apostolo João sobre o Apocalipse.
Caberá a Temer tentar convencer em pronunciamento, nesta tarde de quinta-feira de tempo instável em Brasília, dar nó em pingo d’água. Após ouvir ele próprio o áudio do delator da JBS. A oposição espera de camarote o andar da carruagem presidencial. Agora, a pergunta que não quer calar: valerá a pena o desgaste e o tumulto sócio-político-econômico nesse dia do fico?
