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A República

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Texto de Stéfane Rodrigues 

Em “A República” (em grego politeia), diálogo mais célebre, o mais lido e o mais comentado ao longo da história, Platão queria resolver o problema de seu tempo.  O tema central da obra é a justiça e também contém diversos temas filosóficos, sociais e políticos entrelaçados. 

Platão idealiza uma cidade, na qual dirigentes e guardiães representam a encarnação da pura racionalidade.  Neles encontra discípulos dóceis, capazes de compreender todas as renúncias que a razão lhes impõe, mesmo quando duras. O egoísmo está superado e as paixões, controladas. 

O filósofo também achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Presságio? Passados mais de dois mil anos, esta é a realidade da República Federativa do Brasil.  

Entra eleição, sai eleição, as denúncias envolvendo grandes cacifes da política nacional em esquemas de corrupção continuam e a enxurrada de reclamações dos eleitores também, que logo desacreditados nos seus representantes nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, vão para as ruas participar de movimentos pedindo medidas mais severas, punições, fim da lavagem de dinheiro, entre outras bandeiras. Mas no final das contas acabam por eleger no pleito seguinte os mesmos nomes.  

Voltando aos ensinamentos de Platão, podemos comparar a situação atual do Brasil com o início do livro VII de “A República” intitulado “A Alegoria da Caverna”. Segundo o filósofo, a caverna simboliza o mundo, que nos apresenta imagens que não representam a realidade. E só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna. 

A Alegoria da Caverna ainda é frequentemente interpretada como um alerta sobre como governantes, sem uma mentalidade filosófica forte, manipulam a humanidade.

Neste momento, o eleitor brasileiro passa por esse dilema. Às vésperas e em ano eleitoral, a população acaba por se tornar “prisioneira” de candidatos que “distorcem” a realidade com promessas, troca de voto e até mesmo a “falta de opção” na hora de escolher o seu representante. E, no final da apuração dos votos, aquele candidato que foi tachado como ficha suja durante quatro anos, acaba por se reeleger.  

A Lava Jato, maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve com início em 2014 – sem contar outros tantos esquemas envolvendo grandes nomes da política nacional – está aí para mostrar que é necessária a renovação (de ideias, debates, valores, propósitos na política e questionamentos por parte dos eleitores). 

 Os ensinamentos de Platão e seus discípulos no século IV a.C não foram por acaso ou para ficar só nos livros ou nas salas de aula. E 2018 está aí para isso. É hora de pensar em mudança e não de enxurrada de reclamações e brigas políticas em redes sociais.

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