A crise política mais aguda segue engolfando o governo Temer, que não consegue retomar o controle do processo. O quadro geral afeta todo o país, aumentando a tensão social e esgarçando a economia. Analisemos os fatos mais recentes.
O grande nó está sobre o ex-assessor palaciano e deputado afastado Rodrigo Rocha Loures. Caso perca o foro especial, o que pode ocorrer em breve, sua situação se complicará ainda mais. Aguentará ele a pressão ou abrirá o jogo? Temer, em larga medida, depende de Rocha Loures.
O caso Rocha Loures passa pela trapalhada em torno da mudança no comando do ministério da Justiça. A ida de Torquato Jardim para a pasta gerou uma crise envolvendo o antigo titular, Osmar Serraglio, que não aceitou ser “rebaixado” para o ministério da Transparência. Sua nota oficial, lacônica, indica o grau de insatisfação. Serraglio retorna à Câmara.
Outra fonte de risco no Congresso está no Senado Federal. Apesar de pressionado pelo Planalto e por aliados, Renan Calheiros segue na liderança do PMDB. Desafeto de Temer, o alagoano pode criar problemas no comando de seu exército. Calheiros sabe jogar o jogo da política como poucos.
Também as informações de que o novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, teria ligações familiares com um lobista preso na Lava Jato apenas tumultua ainda mais o ambiente.
Temer se escora no PSDB, o grande fiador da governabilidade. O partido de FHC, porém, mantém um comportamento ambíguo e joga suas fichas no julgamento do TSE. Os tucanos, na verdade, estão divididos sobre o apoio a um presidente enfraquecido.
A questão fiscal dos estados é outro problema grave, e o Rio de Janeiro seu melhor retrato. Não bastassem os atrasos no pagamento do funcionalismo, a rejeição das contas de 2016 do governo Pezão, pelo Tribunal de Contas do Estado, jogou gasolina na fogueira. Mais turbulência à vista.
É evidente que a economia sente a crise política. O ambiente limita a ação de investidores, assustados com o quadro. Pouco dinheiro circula, investimentos em queda e demora na redução da taxa Selic seguem no horizonte. Desalento geral em meio à alta do desemprego.
Não nos iludamos. Não importa o resultado do processo, a crise persistirá até ao menos as eleições de 2018. Com um Temer enfraquecido ou um novo presidente eleito pelo Congresso Nacional, pouco se fará de efetivo.
O Brasil andou dez casas para trás. O que não sabemos ainda é quantificar o prejuízo.
