Em meio ao turbilhão da crise política, o governo Temer busca desesperadamente por notícias que atenuem a tensão. Na quinta-feira, a economia foi responsável por uma ligeira melhora geral. Mas foi pouco.
O anúncio do crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre, após uma longa série de oito quedas seguidas, foi bem recebido pelos mercados. O Planalto e a equipe econômica logo entraram em cena.
O presidente Temer falou em “fim da recessão”, um evidente exagero. Já o geralmente discreto ministro da Fazenda, Henrique Meireles, foi à TV reforçar que se está no caminho certo.
O quadro, porém, é outro. Analistas das mais diversas correntes consideram o resultado pontual e difícil de se sustentar. De fato, o agronegócio foi o grande responsável pelo número global, com alta de mais de 13% em função de uma supersafra. Outros setores, como a indústria e os serviços, seguem com desempenho pífio.
Na política, a safra de más notícias continua. Parcela expressiva da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados pede o desembarque imediato do governo, e o movimento só cresce.
O pior, no entanto, foi o novo pedido da Procuradoria-Geral da República para que o ex-deputado e ex-assessor Rocha Loures seja preso. Uma eventual delação premiada do antigo braço direito de Temer fará estragos de monta. De homem da mala, Rocha Loures pode se tornar homem-bomba.
Os eventos da quinta-feira deixaram clara a dinâmica dos dias que correm. Uma boa notícia pela manhã logo é ofuscada por fatos negativos mais tarde. Mesmo assim, o Planalto segue sua busca por uma foto colorida.
