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As eleições darão consolo?

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Em um tuíte recente, o americano Ian Bremmer, especialista em países emergentes e presidente do Eurasia Group, uma das maiores consultorias de risco político do mundo, ironizou que o “Brasil está mostrando aos americanos no que consiste realmente um escândalo político”.

A publicação fazia alusão à então recém-instaurada crise no governo, deflagrada a partir da divulgação da conversa entre o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e o presidente Michel Temer.

Em entrevista à BBC Brasil, Bremmer diz acreditar que as eleições do ano que vem “não vão trazer consolo aos brasileiros”.

Os principais pontos

“Um bom jeito de começar seria tornar os sistemas eleitorais mais responsáveis e transparentes, com campanhas mais baratas. Isso reduziria os incentivos para a corrupção logo de cara. Mas, no fim das contas, os brasileiros devem se reconfortar com o fato de que todos esses escândalos políticos estão, na prática, trazendo à tona a verdadeira corrupção. Sim, é um processo extremamente doloroso, mas precisa acontecer. O Brasil precisa dar um basta na propina e na corrupção. Sem isso, as leis não vão funcionar. Também precisa cobrar maior transparência das empresas. Só dessa forma elas irão se tornar mais eficazes e eficientes. Considero que, em última análise, a Lava Jato está ajudando o país a trilhar um caminho melhor.”

“Além das reformas políticas que mencionei, o Brasil precisa de uma reforma da previdência eficaz para colocar as finanças em ordem. Também precisa de uma legislação tributária mais simples, de modo que as empresas – nacionais ou internacionais – tenham mais facilidade para operar. Precisa trazer a experiência de gestão para dentro das estatais. E, por último, precisa investir em infraestrutura tanto para a classe trabalhadora quanto para a classe média.”

“Triste dizer, mas as eleições do ano que vem não vão trazer muito consolo ao brasileiro médio. O pleito vai ser menos entre a direita e a esquerda e mais sobre o velho e o novo – e já temos visto que a demanda por candidatos antissistema vem crescendo. Enquanto é perfeitamente possível sermos surpreendidos com quem vai ser eleito presidente, as regras atuais que envolvem as eleições legislativas tornam mais provável que o Brasil vá assistir a muitos dos mesmos problemas acontecendo no ano que vem, como o custo alto do pleito e muitos partidos criando um Congresso fragmentado. O país precisa de uma vez por todas de reformas eleitorais essenciais, mas isso não deve acontecer a tempo das eleições do ano que vem, dado que qualquer mudança nas regras tem de ser aprovada um ano antes. Não teria essa ilusão.”

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