A cantilena de vitimização não é nova, mas desta vez é diferente. Para juristas e especialistas em marketing político entrevistados pelo jornal espanhol El País, Lula da Silva precisa emplacar a versão de que sofre perseguição política.
Esse é o único caminho para manter seu eleitorado fiel, reconquistar a Presidência da República e se salvar, definitiva ou temporariamente, das acusações judiciais em seu encalço. Se a narrativa vingar, Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto em 2018 e congela o andamento de processos anteriores ao exercício da presidência da República.
Mas para fugir da prisão e subir a rampa do Palácio do Planalto, a salvação de Lula passa não só por uma vitória nas urnas, mas também por decisões favoráveis de uma maioria dos 32 magistrados no seu caminho.
Embora o caminho das urnas seja sensível a narrativas de vitimização, observa o jornalista Daniel Haidar, será uma batalha difícil nos tribunais. Depois da primeira sentença, Lula ainda responde a duas ações penais tocadas pelo juiz Moro, no Paraná, e a três processos sob a responsabilidade dos juízes Ricardo Leite e Vallisney de Oliveira, do Distrito Federal.
O ex-presidente terá de enfrentar decisões de pelo menos três juízes de primeira instância, e ato contínuo, seguir o ritual nas instâncias superiores com seis desembargadores de tribunais regionais federais, cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça, e cinco ministros do Supremo Tribunal Federal. Isso só na esfera criminal.
Se a briga subir para a Justiça Eleitoral, caso seja condenado em segunda instância e tente contestar a aplicação da Lei da Ficha Limpa, terá de enfrentar também sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral e onze ministros do Supremo Tribunal Federal.
