Um dos chavões da política brasileira diz respeito às flores do recesso. Quando Brasília saí de férias, em julho e em janeiro, a imprensa e os analistas se esmeram em criar e requentar fatos para manter as atenções. Esse ano, porém, as coisas parecem um pouco diferentes.
Para começar, o presidente Temer trabalha abertamente para vencer a votação sobre a ação contra ele no plenário da Câmara. Seus últimos movimentos geraram uma saia justa com alguns aliados, que não gostaram de certa ingerência do presidente.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por sua vez, segue articulando com os partidos e a equipe econômica. Ele sabe que pode ser a bola da vez e tenta capitalizar a situação.
Por falar em equipe econômica, o anúncio do aumento de alguns impostos não caiu bem no país. A classe média em especial, já pressionada em seus orçamentos, mostrou-se insatisfeita com a medida. Quem pagou o pato, afinal?
As delações premiaras seguem assombrando a muitos. Caso se confirmem, as falas de Palocci, Eduardo Cunha e Lúcio Funaro provocarão um novo turbilhão no país.
Por fim, o ex-presidente Lula voltou ao centro das atenções com as decisões do juiz Sérgio Moro, que bloqueou parte de seus bens. O petista é um nome forte nos cenários para 2018, mas pode sofrer um revés que inviabilize suas pretensões.
Assim segue esse típico julho atípico. O Brasil segue convulsionado e suas lideranças continuam em xeque. Resta saber o que é espuma e o que é fato concreto. Os próximos dias esclarecerão muito disso.
