O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) começou uma negociação inédita em São Paulo em socorro ao coronel reformado João Baptista Lima Filho. Velho amigo de Michel Temer e apontado pelos investigadores da Lava Jato como o mais antigo operador de propinas do presidente.
Desde junho, a autarquia tenta comprar uma fazenda para atender a sem-terra que acossavam o coronel Lima, segundo uma reportagem do El País.
Eles invadiram a propriedade em Duartina, a 380 km de São Paulo, e anunciaram que só deixariam o local com um acordo para aquisição de uma área para a reforma agrária em Bauru. Conseguiram, numa operação que, na visão de um procurador da República, contém indícios de tráfico de influência e improbidade administrativa.
A vitória que os sem-terra da União Nacional Camponesa (UNC) arrancaram do Incra parecia mais que improvável antes do dia 22 de maio, quando cerca de 200 manifestantes invadiram a fazenda Esmeralda.
Coincidência ou não, a fazenda voltou a ser invadida nesta terça-feira. Seria o objetivo de apressar a compra pelo Incra? Só o tempo e as provas dirão.
A negociação chama atenção não só pelo socorro ao amigo de Temer, mas também porque o Incra, mesmo teoricamente permitido por normas do setor, nunca comprou qualquer imóvel em leilão judicial, modalidade na qual concorrem outros investidores e vence quem fizer o lance mais alto. Disputar imóvel em leilão para reforma agrária é uma situação inédita em São Paulo.
Hoje, outras quatro fazendas foram invadidas. Coincidência? Todas as propriedades são de políticos. Uma delas é de Blairo Maggi, ministro da Agricultura, e outra do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O movimento informa que as áreas são ocupadas por trabalhadores rurais, que exigem a destinação das fazendas para assentamentos familiares.
