Texto de Stéfane Rodrigues
Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievsk, é um daqueles romances universais. A Rússia é cenário desta obra que relata o assassinato de uma velha senhora e sua irmã por um estudante chamado Rodka Raskonikov. O ex-estudante de Direito também rouba algumas joias, mas não chega a usufruir e, após se arrepender, enterra-as sob uma pedra. Um jovem orgulhoso. Pintura de um quadro quase vivo do ser humano e da sociedade.
Sua baixíssima condição de vida paralela à sua inteligência, levou-o a criar uma teoria que até hoje pode estar presente no nosso dia a dia. No mundo havia duas categorias de homens: os ordinários e os extraordinários. As pessoas ordinárias são aquelas que nasceram para viver subjugadas à lei. As extraordinárias são aquelas que se dão ao direito de infringir a lei se sua causa pleitear um bem maior, que favoreça a humanidade. O protagonista da trama se imaginava um desses homens extraordinários, acima do bem e do mal, acima da lei!
O livro é um estudo para a psicologia da personagem (e até a política), da mente de um criminoso arrependido, que nos leva à reflexão de temas universais como a nossa função na sociedade, o comportamento humano e a diferença entre o certo e o errado.
Dos livros para a vida real, a obra pode estar mais próxima da gente do que imaginamos. O cenário é a Câmara dos Deputados e o personagem principal do “crime” é protagonizado pelo presidente, que parece não ter sentimento de culpa. De quebra, um “troca-troca” de deputados garantiu 13 votos e vitória de Temer na CCJ. Indicações de novos parlamentares para o colegiado, ou como titulares, ou como suplentes, e até a inversão de cadeiras de quem era membro principal e reserva. Entram em cena, então, os personagens coadjuvantes.
O desfecho desta história será tomada pelo plenário da Câmara nesta terça-feira (02), que segundo supersticiosos, é o “mês do desgosto” ou do “cachorro louco”.
Aliados de Temer, que passaram o recesso parlamentar em Brasília, garantem que a oposição não conseguirá nem 200 votos dos 342 votos necessários para que a investigação.
Assim como Raskólnikov tentou justificar por uma teoria – que grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História, Temer e seus aliados passaram os últimos dias fazendo contas e negociações para garantirem sua vitória.
Crime e castigo se repete e ganha Brasília como palco. Até mesmo o clima frio na capital torna o cenário semelhante ao daquela obra. E o desfecho desta história, veremos nos próximos dias.
