O conhecimento de uso de plantas na medicina caseira pouco a pouco vem desaparecendo. Os motivos são muitos, mas pode-se citar a falta de conhecimento, o desinteresse e o rolo compressor da indústria farmacêutica.
Para evitar que tudo se perca, está sendo editado um catálogo com aproximadamente 100 plantas da Caatinga tradicionalmente usadas pelas comunidades do sertão de Pernambuco no combate a doenças. O poder medicinal das plantas foi comprovado cientificamente em laboratório. O trabalho envolveu 30 cientistas, questionários e viagens de 30 mil quilômetros em 50 comunidades.
O catálogo em construção vai reunir plantas usadas como anti-inflamatórios, cicatrizantes e antibióticos. A ameixa do Brasil, cujo nome científico é Ximenia americana, é muito usada pelas comunidades em processos inflamatórios, pós-partos e banhos de assento. Outras plantas que tiveram comprovação científica foram o jatobá e o angico do caroço, utilizados como expectorante em xaropes.
Ainda há estudos sobre o uso de plantas contra vetores como o Aedes aegypti, transmissor do vírus zika, chikungunya e dengue. Os cientistas usaram o óleo essencial das plantas Commiphora leptophloeos (umburana de cambão), Eugenia brejoensis (cutia) e Hymenaea courbaril (jatobá) para comprovar o efeito larvicida, repelente e ovicida, o que pode ajudar no controle do vetor. Eles também constataram que a umburana de cambão pode ser usada contra a bactéria que causa a tuberculose.
