Texto de Laudelino José Sardá
O episódio que abalou o Brasil, exibindo o olho roxo da professora de Indaial (SC), agredida por um aluno de 15 anos, não pode ser registrado nos limites da espetacularização dos fatos, como sempre faz a mídia tradicional (jornal, TV e rádio). O momento serve para avaliar o papel da escola na construção da cidadania.
Costuma-se atribuir apenas à família a educação dos filhos. Não! A escola tem também responsabilidade. E a cretinice do oportunismo é tamanha que agora a Secretaria da Educação criou um sistema-denúncia, para ensejar a todos os professores agredidos de denunciar imediatamente.
Será que a Secretaria não poderia criar um sistema para orientação crianças e jovens sobre o exercício da cidade, e orientar seu corpo docente a investir no papel imprescindível de educar o aluno para exercitar a ética e moral como pressupostos de uma sociedade saudável?
A própria justiça apressou-se em internar o jovem. Será que juízes e promotores já foram informados sobre a legião de crianças armadas, que vivem assaltando e matando cidadãos? Basta prendê-los, internando-os em asilos que acabam especializando jovens para o crime?
Ora, ora. Não surpreenderá se a Secretaria da Educação conceder um título de honraria à professora agredida e acionar a sua procuradoria para defender a expulsão e a internação do jovem.
Nesse apartheid social, a escola não cumpre o seu papel. No Brasil da fantasia, há excesso de alegorias.
