Os advogados da JBS entregaram à Procuradoria Geral da República (PGR) novos levantamentos, relatórios e gravações de conversas com políticos, que serão anexados ao acordo de delação, segundo reportagem de Wladimir Neto, da Globo.
As informações complementares vão embasar as investigações que estão em andamento e podem provocar a abertura de outras apurações, porque em alguns casos surgiram novos personagens.
Entre as novas gravações, há uma em que o atual ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, fala abertamente sobre um esquema de corrupção. Na delação, o empresário Joesley Batista disse que pagou R$ 6 milhões em propina para Marcos Pereira.
Nos novos documentos, a JBS também detalhou parte do pagamento de R$ 30 milhões feitos a políticos que apoiaram a candidatura do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara.
Os delatores da JBS contam que antes mesmo de ser reeleito deputado federal em 2014, Eduardo Cunha procurou Joesley Batista e disse que gostaria de concorrer à presidência da Câmara. Ele pediu o apoio de Joesley.
O empresário daria R$ 30 milhões e o executivo da J&F Ricardo Saud, também delator, faria contato com alguns parlamentares e líderes que já tivessem recebido recursos da empresa, principalmente das bancadas de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Joesley concordou e Ricardo Saud disse que fez contato com mais de 200 deputados entre novembro de 2014 e janeiro de 2015. Eduardo Cunha foi eleito no mês seguinte, fevereiro de 2015.
A TV Globo apurou que, de acordo com os relatos dos delatores da JBS , Eduardo Cunha “com certeza” destinou recursos a pelo menos estes políticos:
deputado federal Carlos Bezerra – R$ 500 mil – viadoação oficial
ex-deputado, atual prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão – R$ 500 mil – via doação oficial
deputado federal Geraldo Pereira – R$ 150 mil – via doação oficial
ex-deputado, atual vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Junior – R$ 100 mil reais – em espécie
deputado federal Marcelo Castro – R$ 1 milhão – em espécie
deputada Soraya Santos – R$ 1 milhão e 35 mil – notas fiscais frias
Também foram gravados pela JBS negociando vantagens, segundo os delatores, os seguintes políticos:
ex-deputado federal, hoje deputado estadual em Minas, João Magalhães
deputado federal Leonardo Quintão
deputado federal Mauro Lopes
deputado federal Newton Cardoso Junior
deputado federal Saraiva Felipe
ex-deputado federal, atual vice-governador de Minas, Toninho Andrade
Os delatores da JBS entregaram provas que reforçam as acusações que fizeram sobre os pagamentos ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). E também sobre os repasses para contas no exterior que, de acordo com depoimento de Joesley, ficaram à disposição dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT.
Os delatores também disseram que a JBS fez pagamentos ao ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. A JBS descobriu em seus arquivos registros de pagamentos de R$ 200 mil por mês ao ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, enquanto ele estava no cargo. Rossi foi ministro de Lula e Dilma.
A JBS também entregou um longo memorial sobre os contratos que assinou com o BNDES.
Como o ministro Edson Fachin acabou dando mais 60 dias de prazo, a JBS planeja manter os levantamentos que já estavam em andamento – reunir ainda mais provas ao longo dos próximos meses – e entregar mais material em novembro. Os investigadores querem usar essas informações para entender detalhadamente como operava cada organização criminosa apontada na delação da J&F.
O presidente Michel Temer, em viagem à China, foi perguntado sobre essas novas informações trazidas pela JBS, mas não quis responder. Os demais citados também negam ou não foram encontrados para falar sobre a denúncia.
