Texto de Viviane Roussenq
Na linguagem virtual, deixaram-se. O surrado status de “relacionamento sério” sumiu dos perfis. Era apenas um detalhe em meio a tantos posts – trabalho, amizade, festas, conquistas profissionais.
Prosseguiram seus caminhos, mas não negaram o vínculo de vida de pelo menos quatro anos. Ambos mantiveram fotos de momentos de carinho, orgulho e paixão, com direito a declarações de amor.
Refleti sobre a maneira bacana de não negar o vivido e celebrado, de referendar o que foi lindo e registrado em imagens, porque valeu, durou e deu certo por alguns anos. O mais comum em Facebook é o “casal” ao terminar sua relação, dar cabo de todos os seus vestígios.
Como se o outro ou ambos não tivessem colecionado um tempo só dos dois. Para além do calendário e de outros amores que virão. Achei bonito, leal.
De uma lealdade profunda a si mesmo, de quem sabe e sente que o amor foi vivido até a última gota. E lealdade ao outro, que fez parte da caminhada, que sempre fará. Como num álbum de recordações em que viramos a página mas não a rasgamos.
Com serenidade, paz e alguma dose de bom humor ele ou ela ao se deparar com a imagem não deterá aquele meio sorriso de bons tempos. Mesmo com a pressa de tempos onde a nostalgia foi demonizada em lugar da praticidade, ou seja, acabou?
Deletemos tudo. Belo exemplo de que o passado – principalmente sua parte mais bonita, não pode e nem deve ser apagado.
