O ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo Temer, general Sérgio Westphalen Etchegoyen, causou incômodo em parte da comunidade diplomática durante uma palestra no Instituto Rio Branco, conta Tomás Chiaverini, do The Intercept Brasil.
O conteúdo da palestra foi revelado agora e ocorreu no dia 23 de agosto, quase um mês antes da palestra do general de Exército Antonio Hamilton Martins Mourão, na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, quando disse por três vezes disse que as Forças Armadas podem intervir caso a crise política não seja resolvida logo
Etchegoyen criticou a excessiva preocupação dos políticos em “preservar mandatos e biografias”. E, com distanciamento pouco comum a homens em posição de comando, reclamou que vivemos um “deserto de lideranças”. Uma situação de “perplexidade política” para a qual não há saída à vista e que pode “gerar problemas maiores”.
Na reportagem, conta-se que o general sugeriu “medidas extremas” para a segurança pública, elogiou feitos dos anos de chumbo e disse que o país sofre com amoralidade e com patrulha do “politicamente correto”.
Etchegoyen começou a fala de quase duas horas contando que tinha sido soldado por 47 anos e que era por essa ótica, militar, que enxergava e interpretava o mundo.
Para ele, o país passa por crises tão profundas que afetam a própria estrutura do Estado: “Nós nunca vivemos, no Brasil, um momento em que coincidisse, com tanta intensidade, tantas crises estruturais e tantas crises setoriais. Isso nos dá uma crise sistêmica”, disse. “E nós não vamos tratar com Aspirina nem com Tylenol. Nós vamos tratar com antibiótico, com todos os efeitos colaterais”.
Para o chefe da Agência Brasileira de Inteligênca (Abin), boa parte do caos atual deve-se ao excesso de ideologias. “Nós criamos uma sociedade, particularmente no Brasil, que resolveu que os fenômenos sociais são todos explicados a partir de uma formulação ideológica”, disse. Depois completou: “Nós temos uma questão prática pra resolver [a crise atual], que não responde a questões ideológicas necessariamente.”
Etchegoyen diz acreditar que a crise atual é o grande “inimigo interno” e pode ser dividida em três vertentes: a econômica, a política e a moral, que, para o homem forte da segurança de Michel Temer, é a maior delas.
