A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz afirmou neste sábado (14), em entrevista para a DW, que é capaz de provar as violações de direitos humanos no país e que tem provas suficientes para levar o presidente Nicolás Maduro ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
Ortega Díaz disse ter apresentado um dossiê sobre execuções extrajudiciais e outras violações em Genebra, na Suíça. “Trata-se, sobretudo, de laudos, protocolos de autópsias, reconhecimento de lugares, laudos sobre projéteis. Todos esses elementos, além dos testemunhos, podem fortalecer uma denúncia [ao TPI]”, afirmou.
Sobre outros motivos para denunciar o governo Maduro, Ortega Díaz também mencionou a corrupção e, em particular, o caso da empreiteira brasileira Odebrecht. “Tenho depoimentos, [prova] documental e as contabilidades”, contou, assegurando também que estava trabalhando em conjunto com promotores brasileiros e de outros países.
Ortega Díaz foi também questionada se a União Europeia deveria aplicar sanções econômicas – a exemplo dos EUA – ao governo venezuelano. “O que eu quero é que as medidas tomadas pelos Estados não afetem a população, não afetem a sociedade”, explicou. Ela assegurou que não defende sanções, mas um caminho jurídico para o país sair da crise.
A jurista também destacou as eleições regionais que serão realizadas neste domingo no país. A ex-procuradora-geral disse que não há contradição em participar da votação porque o pleito não foi convocado pela Assembleia Nacional Constituinte, um órgão integrado somente por chavistas.
