Michel Temer deve sobreviver mais uma vez. Pouco antes de a Câmara votar a segunda denúncia criminal contra presidente, o Planalto não esconde sua confiança em mais uma vitória. Entre os oposicionistas, são poucos que apostam que um número mínimo de 342 deputados vai aceitar as acusações e votar pelo afastamento do presidente.
Nesta quarta-feira (25), a dúvida parece ser apenas se Temer vai ser capaz de repetir os 263 votos reunidos na primeira denúncia, em agosto, lembra a DW.
Temer deve conseguir costurar a nova vitória graças aos mesmos fatores que prevaleceram na primeira votação: a ausência de pressão popular, a distribuição de favores aos deputados, a falta de uma alternativa e a fraqueza da oposição.
Nas semanas que antecederam a votação da primeira denúncia, a imprensa e o mundo político especularam possíveis nomes que poderiam substituir Temer. Eram figuras como presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem-RJ), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ou até mesmo o ex-ministro Nelson Jobim. Nenhum desses nomes gerou consenso entre a classe política e as próprias figuras não se mostraram muito interessadas.
Desta vez, nem sequer houve uma discussão sobre possíveis substitutos e nenhum nome se apresentou para suceder Temer. No caso do impeachment de Dilma Rousseff, a presença de um vice e o comportamento ambicioso de Temer ofereceram ao mundo político uma alternativa para colocar no lugar da petista. Temer simplesmente não tem um Temer como adversário.
