O presidente Michel Temer chegou a tempo de assistir em casa, no Palácio do Jaburu, a votação que garantiu a rejeição da denúncia contra si. O presidente recebeu alta do Hospital do Exército por volta das 20 horas. Poucos minutos depois, o placar de 156 votos mostrava que a denúncia já estava na gaveta. O voto 171 foi do deputado preso Celso Jacob (PMDB-RJ).
O final da votação registrou 251 votos a favor do arquivamento e 233 contra o relatório da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), de autoria do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). Houve 2 abstenções, enquanto 25 deputados estiveram ausentes.
Vice-líder do governo, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) lamentou o “tempo perdido” com a sucessão de denúncias e projetou uma nova fase do governo Temer.
A oposição não vê condições políticas de Temer conduzir o governo até as eleições do próximo ano. O líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), prevê o agravamento da situação das contas públicas devido às recentes decisões de Temer para agradar sua base aliada na Câmara.
Michel Temer e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Moreira Franco, foram acusados der organização criminosa e obstrução de Justiça. Também são denunciados nesta acusação de participar da organização criminosa os integrantes do chamado “PMDB da Câmara”: Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures.
Na primeira denúncia foram 263 a favor do Planalto, bem acima dos 172 necessários. A nova “campanha” para garantir os votos e barrar a segunda denúncia incluiu mais uma vez a distribuição de emendas parlamentares, oferta de cargos e concessão de agrados específicos.
A sessão de votação desta vez se arrastou por horas. A estratégia da oposição de não marcar presença na sessão plenária adiou em mais de oito horas o início da votação. Deputados governistas criticaram, em Plenário, a denúncia da Procuradoria-Geral da República.
O advogado do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), Daniel Gerber, disse que foi baseada em “interesse político”. O relatório já tinha sido aprovado no último dia 25 pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, por 39 votos contra 26.
Como votaram os deputados do DF
Alberto Fraga (Dem) – Arquivamento
Augusto Carvalho (SD) – Não ao arquivamento
Erika Kokay (PT) – Não ao arquivamento
Izalci Lucas (PSDB) – Arquivamento
Laerte Bessa (PR) – Arquivamento
Rogério Rosso (PSD) – Arquivamento
Ronaldo Fonseca (Pros) – Arquivamento
Rôney Nemer (PP) – Arquivamento
