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A pedra no sapato do Brasil

No Brasil, a política ambiental vai bem. É com essa postura que o governo brasileiro inicia sua participação na 23ª Conferência do Clima (COP23) em Bonn, na Alemanha, a partir desta segunda-feira. Em conversa com a imprensa internacional às vésperas da COP, José Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente, afirmou que, ao contrário do que tem sido noticiado dentro e fora do país, não houve retrocessos no cuidado com o meio ambiente.

“No último ano, as notícias e versões que se deram não corresponderam, de fato, àquilo que o governo fez. Nós avançamos na política ambiental e impedimos que essa política ambiental pudesse gerar qualquer impossibilidade de cumprir o Acordo de Paris”, afirmou Sarney Filho.

Apesar das críticas, o Brasil chega a COP23 com um dado positivo: o desmatamento apresentou queda de 16% entre agosto de 2016 e julho de 2017. Embora tenha havido redução, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram eliminados 6,6 mil quilômetros quadrados de floresta – quase 47 vezes o tamanho de Bonn.

Apesar do otimismo do ministro, há poucos meses, o principal doador do Fundo Amazônia, o governo da Noruega, criticou o Brasil por seguir a “direção errada” na política ambiental. Na sequência, o país escandinavo anunciou o corte de 50% no repasse de recursos ao fundo internacional criado para combater o desmatamento.

No final de outubro, o relatório independente divulgado pelo Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) apontou que as emissões no Brasil aumentaram 9% em 2016.

Em Berlim, lideranças indígenas que vieram à Alemanha para participar da COP23 discordam de Sarney Filho. “Não há nada de bom na política ambiental brasileira recente”, afirma Sonia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib). Ela integra um grupo de lideranças da América Latina que viajou, de ônibus, por capitais europeias para falar sobre o papel da floresta no combate às mudanças climáticas.

“Há uma contradição muito grande entre o que é apresentado no discurso internacional e o que é feito na prática. Nós estamos num momento de total desmonte da política ambiental, dos direitos indígenas e sociais como um todo”, disse à DW Brasil.

Sarney Filho chefia a delegação brasileira em Bonn, que será acompanhada por parlamentares, representantes de outros ministérios e da sociedade civil. As negociações climáticas que discutem como implementar exatamente o Acordo de Paris, assinado em 2015, serão coordenadas pelo embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho.

Carlos Rittl, do Observatório do Clima, rede que reúne 37 entidades, acompanha as negociações com olhar crítico. “Dizer que este governo avançou na política ambiental é contrafactual. Ao contrário, o poder inédito que ganhou a bancada ruralista na administração causou e está causando retrocessos históricos na proteção socioambiental no Brasil”, diz.

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