A um ano das eleições, os sinais de que a recessão ficou para trás tornam-se cada vez mais claros no Brasil. O desemprego começa a recuar, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou dois trimestres consecutivos de alta e o comércio voltou a tomar fôlego, segundo revela a BBC.
O desempenho desses indicadores nos próximos 12 meses será decisivo para definir o desfecho do pleito presidencial. Quanto mais forte o ritmo de retomada da economia, diz a consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), maiores as chances de candidatos centristas, mais alinhados ao mercado.
As chances de um segundo turno com candidatos considerados populistas, com discurso mais radical à direita e à esquerda – Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva, nessa ordem – são pequenas, na avaliação de Fiona Mackie. “Esse seria o pesadelo do mercado”, comenta.
Isso porque, depois de dois anos de crise, os brasileiros não estariam dispostos a colocar em risco uma eventual recuperação do poder de compra, do consumo e o aumento da sensação de bem-estar apostando em candidatos com discurso mais radical – à esquerda ou à direita -, avalia Fiona Mackie, diretora regional para a América Latina da EIU.
A análise sobre o Brasil consta em um relatório sobre o panorama eleitoral da América Latina em 2018 que a consultoria, parte do grupo que publica a revista The Economist, divulga nesta terça-feira.
Nesse cenário, o partido que mais se beneficiaria seria o PSDB, ela diz – hoje, o mais cotado para disputar a Presidência pelo partido é o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB).
Nesse sentido, também crescem as chances do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. De um lado, há o precedente importante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, titular da pasta na gestão de Itamar Franco, diz a cientista política, entre 93 e 94. “Há similaridades, mas também muitas diferenças. Meirelles não tem tanta experiência política nem tanto carisma”, ela ressalva.
Meirelles, assim como outros “outsiders” – entre os nomes não alinhados ao status quo da política já apareceram o do apresentador Luciano Huck e o do presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro -, tem ainda a desvantagem de não contar com a máquina política de que dispõem os partidos tradicionais, que Mackie considera importante na batalha para conquistar os eleitores que estão fora dos principais centros urbanos.
