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Recado dado, mas mal digerido

O presidente Michel Temer tem pressionado, pessoalmente, dirigentes de partidos da base aliada para que apoiem um eventual candidato governista nas eleições de outubro, em troca de manter as indicações ministeriais depois da reforma de abril, disseram à Reuters fontes que acompanham as negociações.

Prestes a ter que trocar pelo menos mais 12 ministros que pretendem ser candidatos a algum cargo na eleição de outubro, Temer tem chamado líderes e presidentes de partidos para deixar claro que quem quiser ficar terá que apoiar o candidato do governo.

De acordo com os repórteres Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito, um emedebista da cúpula partidária admitiu que essa é mesmo a estratégia: quem ficar agora deve ficar até o final. “É a base para a eleição”, disse. O recado foi recebido, mas mal digerido pela base.

“Eu estive com o presidente na semana passada e ele me disse isso também, mas não me disse quem é (o candidato)”, disse à Reuters o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, presidente do Solidariedade. “Apoiar um poste não dá, né?”

O Solidariedade tem, desde o início, trabalhado pela candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que seria uma das alternativas a candidato da base. No entanto, o próprio presidente da Câmara e seu partido, o DEM, já afirmaram que não serão o “candidato do governo”.

“Vamos esperar para ver quem é esse candidato então. Só dá para ter opinião sobre isso quando a gente souber quem é”, disse Paulinho, que, na reunião do DEM que lançou a candidatura de Maia, foi o mais efusivo dirigente partidário a defender o nome do presidente da Câmara ao Palácio do Planalto.

O governo trabalha desde o ano passado com a ideia de manter a base unida em torno de um candidato de “centro” na eleição presidencial, mas tem tido dificuldades por absoluta falta de nomes viáveis.

As alternativas até agora —o próprio Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e Maia— não conseguiram decolar nas pesquisas.

O fraco desempenho dos centristas tem levado os partidos da base a olharem para todos os lados para descobrir onde podem se colocar melhor para as próximas eleições.

No lançamento da pré-candidatura de Maia ao Planalto, por exemplo, apareceram presidentes e líderes de todos os partidos da base. PP, Solidariedade e PSD conversam não só com Maia, mas com o tucano Geraldo Alckmin. O mesmo ocorre com o PRB, que estaria negociando até a possibilidade de uma vice na chapa presidencial do senador Álvaro Dias (PR), do Podemos.

“O presidente foi muito claro em dizer que quem for indicar ministro vai ter que apoiar o candidato do governo. Mas quem é esse candidato? Como é que eu vou dizer para o partido que vamos apoiar alguém que a gente nem sabe quem é?”, disse à Reuters um presidente de partido que esteve esta semana com Temer.

Um dos presidentes partidários ouvidos pela Reuters perguntou a Temer se ele próprio poderia ser candidato. Ouviu que dependeria da reação das pesquisas e do resultado da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Questionado se o candidato governista poderia ser Meirelles, Temer também deixou a alternativa no ar.

“Fica difícil comprometer um apoio sem saber quem seria o candidato não é?”, disse a fonte. De acordo com essa fonte, seu partido ainda vai se reunir para decidir o que fazer.

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