O dia 7 de abril é o prazo limite para ocupantes de cargos no Executivo ou no Judiciário deixarem suas funções e se candidatarem na próxima eleição. É o mesmo prazo de encerramento da janela partidária, que é quando um político pode trocar de uma legenda por outra, sem sofrer qualquer punição, como a perda de seu mandato, observa Afonso Benites, do El País.
Na Esplanada dos Ministérios a expectativa é que até 12 ministros deixem suas cadeiras.
O PP ocupa hoje três ministérios com orçamentos de fazer inveja às outras pastas: Saúde, Cidades e Agricultura. E esses recursos destinados a eles são vistos como atrativos para irrigar campanhas eleitorais ou apenas para servirem como propaganda institucional. Os responsáveis pelas pastas são três congressistas licenciados: Ricardo Barros, Alexandre Baldy e Blairo Maggi. Barros já informou que deixará a Saúde. Baldy se comprometeu com Temer a não disputar eleição, mas a direção do PP quer convencê-lo a concorrer porque o consideram “bom de voto”.
Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, se descolou do governo Temer, segundo a reportagem. Mas os emedebistas ainda não o deixaram. Sabem que ele tem duas poderosas armas que podem pesar contra o presidente. A primeira é a capacidade de pautar qualquer tema para ser votado na Câmara.
A segunda, há quase duas dezenas de pedidos de impeachment contra o presidente aguardando uma avaliação de Maia. Em princípio, ele não quer ser para Temer o que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi para Dilma Rousseff (PT), quando este aceitou o pedido de impeachment dela e deu início à crise política que levou o Brasil a ter hoje 11 pré-candidatos à presidência.
