Perto do encerramento do prazo para filiações partidárias, as negociações entre legendas e potenciais candidatos ganharam intensidade. O PSB, um dos partidos ainda sem nome para a disputa sucessória, está perto de receber em suas fileiras o ex-ministro Joaquim Barbosa.
Nascido em Paracatu (MG) em outubro de 1954, Joaquim Benedito Barbosa Gomes é jurista e professor. Formou-se em Direito pela Universidade de Brasília e tem mestrado e doutorado pela Universidade de Paris-II (Pantheon-Assas). Também passou pela Universidade de Columbia (Nova Iorque) e pela Universidade da Califórnia.
Seu currículo é extenso. Foi Oficial de Chancelaria do ministério das Relações Exteriores entre 1976 e 1979. Depois, ingressou no Ministério Público Federal, onde ficou de 1984 a 2003. Nesse ano, foi indicado pelo então presidente Lula da Silva para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, cargo que ocupou até 2014. Também integrou o Tribunal Superior Eleitoral, no ano de 2008.
Barbosa ganhou notoriedade quando relatou, na Corte, o processo do Mensalão, julgamento que envolveu 40 réus relacionados na CPI Mista dos Correios. De ministro pouco conhecido, tornou-se uma celebridade nacional. Em 2013, a revista Time considerou-o uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Fluente em inglês, francês, alemão e espanhol, o ex-ministro tem personalidade forte. Já bateu boca com jornalistas e com colegas de Corte. Durante o processo do Mensalão teve atritos com o então relator-revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Certa vez, discutiu em plenário com o ministro Gilmar Mendes. “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar”, afirmou Barbosa.
Uma questão delicada para o potencial candidato é a saúde. Graves problemas de coluna levaram Barbosa a solicitar, em diversas ocasiões, licença médica do Supremo. Era comum vê-lo de pé proferindo votos em plenário – a dor que sentia o impedia de ficar sentado.
O que Barbosa trará para a campanha? Suas posições sobre temas fundamentais para o Brasil, como economia, desenvolvimento, educação, saúde e segurança pública são pouco conhecidas. Também não se sabe qual a real capacidade do ex-ministro aglutinar forças políticas a seu redor. As cobranças aparecerão rapidamente.
O PSB é um partido de médio porte com estrutura razoável, que certamente dará condições para Barbosa realizar uma boa campanha. A legenda, de centro-esquerda, busca ganhar maior protagonismo na cena política nacional e a figura do ex-ministro, nesse sentido, atende a esse projeto. Os socialistas, por sinal, o receberão com pompa e circunstância.
Em suma, dado o atual quadro da política brasileira, a presença de Barbosa na disputa sucessória representa alguma novidade. A princípio, ele poderá tirar votos de diversos concorrentes – de Ciro Gomes a Jair Bolsonaro. Se ele será um candidato competitivo, porém, só o tempo dirá.
