Texto de Renato Candemil
A palavra “política” de origem antiga e grega, remonta dos tempos em que a sociedade era organizada em cidades-estados e significava aquilo que era relacionado aos assuntos públicos e seus cidadãos. Pois bem, o que isso tem a ver com a espiritualidade? A meu ver, tudo.
Nos últimos anos tenho dedicado boa parte de meu tempo a estudar, refletir e escrever sobre temas como a espiritualidade e a busca pelo autoconhecimento. A maioria das pessoas, talvez até por desconhecimento do assunto, imaginam que quem envereda por esse caminho, da espiritualidade, do espiritismo, da ciência que procura estudar esses fenômenos, e por aí vai, vivem dentro de uma redoma, não se permitindo discutir ou participar da vida política de seu país. A sociedade de forma geral imagina que esses “intelectuais” são “carta fora do baralho”. Enganam-se totalmente.
Sempre que escrevo ou opino sobre os problemas políticos que estamos atravessando, bem como toda essa questão da corrupção, recebo uma saraivada de críticas. Alguns querem até me colocar contra a parede, com afirmações do tipo: “Como pode um cara espiritualizado como você ficar discutindo política?”.
Pois bem, discuto e opino com a maior tranquilidade. A história me conforta, afinal de contas grandes oradores e escritores espíritas foram políticos renomados e aqui cito apenas dois para ilustrar: Bezerra de Menezes, médico e deputado federal e Eurípedes Barsanulfo, jornalista e vereador. Ambos se dedicaram à política e ao estudo dos temas da espiritualidade e do espiritismo.
Ignorar a presença de políticos e por consequência de cientistas, acadêmicos, empresários e filósofos no meio espiritualizado e vice-versa, ignorar a presença das pessoas espiritualizadas nesses meios, seria uma injustiça histórica. O envolvimento nas discussões políticas é tarefa de todo cidadão, independentemente de sua conduta espiritual.
Recentemente o maior orador espírita do Brasil e aqui complemento, um dos maiores do mundo sem dúvida alguma, Divaldo Franco, no sabor de seus mais de noventa anos de idade foi duramente criticado por alguns setores da sociedade por se manifestar em uma palestra espírita quanto aos temas políticos.
A meu ver, não há razão alguma para essas críticas. Falar sobre política e fazer política é tão natural quanto necessário.
O que tem chamado a atenção, nas redes sociais e nos meios de comunicação é a total falta de compromisso com que a política tem sido compartilhada por muitos.
Atrevo-me escrever que a discussão política hoje no país, de forma errônea, assemelha-se a uma torcida de futebol em que os opostos destilam todas as provocações entre si, demonstrando total despreparo social e gerando situações extremamente preocupantes para o futuro dessa mesma sociedade.
Se alguns imaginam que a “omissão” é condição para que se alcance o autoconhecimento, a sabedoria espiritual e que é “normal” aquele que estuda os temas da espiritualidade não se envolver nessas outras questões, enganam-se. Simples assim.
Defendo como livre pensador, que devemos analisar os prós e os contras nos diversos temas que afligem a sociedade hoje, ainda que nossas opiniões possam contrariar as opiniões de muitos, mas tudo, num ambiente de muita fraternidade, respeito e com princípios éticos e morais, afinal, todo o contraditório é saudável, e por conta disso, devemos buscar e criar para o debate, um ambiente harmonioso. Certamente, bons frutos serão colhidos e a sociedade agradece.
(Renato Candemil é advogado e autor de “Uma Jornada em Busca da Verdade Espiritual”)
