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Câmbio, Desligo tem farto material, diz procurador

Aos menos 33 pessoas ligadas a uma rede de doleiros que movimentaram 1,6 bilhão de dólares desde 2007 dentro e fora do Brasil foram presos nessa quinta-feira pela Polícia Federal e Ministério Público na operação para cumprir 53 mandados de prisão em vários Estados e no exterior.

Para o Ministério Público, a operação desta quinta-feira é a maior dos últimos anos na área de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

“Essa é a maior operação desde o escândalo do Banestado… é um material explosivo e temos um material bem robusto. Esperamos desdobramentos da operação de hoje”, afirmou o procurador federal Eduardo El Hage,revelou a Reuters.

Os procuradores federais envolvidos na “Câmbio, Desligo” citaram que alguns dos doleiros presos nessa quinta-feira atuaram para o ex-governador Sérgio Cabral, para empreiteiras, entre elas a Odebrecht, e para a JBS.

“A operação abre porta para entrarmos num universo desconhecido. Entramos numa primeira camada mas há outras camadas… podem ter outros políticos, outros empresários envolvidos, exportadores, tráfico de drogas e armas. Vamos nos esforçar para chegar lá” , disse o procurador federal Rodrigo Timóteo.

Os procuradores destacaram que até agora todas as operações da Lava Jato no Rio de Janeiro mapearam US$ 100 milhões que pertenceriam ao ex-governador Sérgio Cabral. Mas, como o esquema descoberto na operação “Câmbio, Desligo” é da ordem de US$ 1,6 bilhão, outros envolvidos podem ser descobertos em breve.

Os doleiros montaram uma espécie de banco informal para receber os recursos ilegais, movimentá-los e prestar contas a quem fazia uso desse sistema. O bankdrop movimentou recursos de mais de três mil empresas offshore que tinham contas em 52 países.

“Os doleiros tinham uma espécie de Câmara de Compensação. O Juca e O Tony juntavam a demanda de dólar no exterior e no Brasil. Mas era tanto dinheiro que eles precisavam de uma rede complexa de doleiros para movimentar dinheiro lá fora e gerar reais aqui dentro no Brasil. Eles uniam as duas pontas da corrupção”, explicou Timóteo.

“Eles tinham dois sistemas, o ST que era uma espécie de conta corrente dos clientes do esquema. Ali os envolvidos podiam ver créditos, débitos e saldo das operações financeiras. Havia ainda um sistema de bankdrop que servia de controle para as transferências internacionais que eram feitas, como se fosse um balanço de TEDs E DOCs”, adicionou.

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