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Ciro e o empresariado

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Após perder três disputas presidenciais, o então candidato Lula da Silva fez dois movimentos em 2002. Lançou a Carta ao Povo Brasileiro e chamou o empresário José Alencar para ser seu vice. As duas medidas, quase simultâneas, ajudaram a pavimentar a vitória do petista naquela eleição. O resto é história.

Hoje, o quadro pode se repetir. O neopedetista Ciro Gomes, cuja pré-campanha já está nas ruas, cogita da possibilidade de colocar um empresário em sua chapa. O nome mais cotado é o de Benjamin Steinbruch, da CSN, que recentemente se filiou ao PP. As conversas estão em curso.

A ideia de Ciro é quebrar o preconceito que setores da sociedade brasileira tem com sua candidatura. É do conhecimento geral que o pré-candidato tem um viés estatizante, contra muitas das propostas liberais que o governo Temer tenta implementar. Apenas para citar um exemplo, Ciro se mostra fortemente contra as privatizações.

Aqui começam os problemas para a construção dessa chapa. O partido de Steinbruch é da base aliada e defende uma agenda liberal. Como conciliar posições tão distintas?

Indo além, Steinbruch não tem experiência política e é pouco conhecido do eleitorado. Uma eventual campanha precisará ser muito bem elaborada. O tempo é curto.

Outra questão é o famoso comportamento mercurial de Ciro. Como seria a relação diária entre duas personalidades de perfis tão fortes?

Já estamos na metade de maio e o calendário corre. Em julho, logo após a Copa do Mundo, os partidos definirão candidaturas e alianças. Por ora, as pretensões de Ciro seguem firmes. Com ou sem Steinbruch.

O certo é que a esquerda tem no neopedetista uma opção forte. Resta a Ciro repetir o Lula de 2002 e conquistar ao menos parcela do empresariado.

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