Enquanto não conseguem definir nomes ou propostas de governo, setores do centro político decidiram agir. Capitaneado por figurões da política brasileira como Fernando Henrique Cardoso, o grupo lançou um manifesto e decidiu se colocar de fato no jogo sucessório.
O chamado manifesto “Por um polo democrático e reformista” é assinado por nomes tradicionais da vida pública nacional. Integrantes do PSDB, DEM, MDB, PTB e PPS se juntaram na empreitada.
Na prática, são três os objetivos da movimentação. Em primeiro lugar, encontrar um nome politicamente viável para representar o grupo nas eleições de outubro. Além disso, estabelecer um contraponto real à esquerda e à direita, que polarizam hoje o debate político. Por fim, fazer avançar a agenda reformista que o governo Temer tentou, sem sucesso, emplacar.
São diversos os problemas no caminho proposto pelos centristas. Não há no horizonte um nome que empolgue o eleitorado, conforme atestam as pesquisas de intenção de voto. Igualmente a dimensão do “guarda-chuva” dos partidos integrantes do grupo dificulta uma ação coordenada – as diferenças programáticas são evidentes. Não se pode esquecer ainda que os proponentes do manifesto, como foi dito acima, são antigos medalhões que não cativam o eleitorado mais jovem, e muitos são vinculados à impopular gestão Temer.
O presidente da República, por sinal, entrou na defesa pública de uma candidatura unificada de centro.
É importante lembrar que a palavra “reforma” é um mantra da política brasileira, utilizada há décadas. Os governos de plantão, de Fernando Henrique Cardoso a Temer, passando por Lula e Dilma, tiveram pouco sucesso nas medidas que propuseram – que o digam as reformas da Previdência e tributária, debatidas há muito tempo. Nada indica que o novo movimento terá condições de mudar esse quadro.
Outro indicativo das dificuldades enfrentadas pelo grupo é o número de potenciais candidatos a serem chamados para conversar. Pelo menos sete pré-candidatos entram no balaio, de João Amoêdo a Marina Silva, e outros nomes podem surgir. O fator tempo também não favorece as negociações.
De todo modo, há ao menos um ponto positivo no caso. Um setor importante da cena política brasileira resolveu se mexer e, talvez, ajudará a qualificar o debate nacional. Em tempos de radicalização, fake news e afins, isso já é alguma coisa.
