Há dois anos, neste mesmo mês de 2016, a CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados discutia o escândalo de corrupção que provocou um nó na política brasileira e o desencanto por completo da população com a gestão pública.
A crise política se intensificava com a troca de comando no Palácio do Planalto, com escaramuças entre os grupos dominantes e com protestos de rua num confronto de opiniões entre o “vermelho” e o “amarelo”. A Operação Lava Jato realizava seu melhor voo com a prisão de personagens intermediários de um esquema corrupto partilhado por partidos como o PT, MDB e PP. Empresários de grosso caibre, operadores e doleiros estavam no esquema desvendado aos poucos à medida que as investigações avançavam.
As investigações começavam a chegar na classe política e ninguém era capaz de desenhar um futuro para as consequências dessa histórica ação.
Ex-parlamentares, deputados e senadores no exercício do mandato foram trancafiados ou soltos ou condenados e até a figura imaginária de toda uma nova ordem que se mostrou podre, recebeu uma pena de 12 anos e um mês de prisão.
Germinava também a crise no Judiciário, notadamente, no Supremo Tribunal Federal, que um professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas denominou, há pouco, de “briga de facções”.
O cenário econômico draconiano mostrava seus dentes e milhões de brasileiros perdiam seus empregos. Era o reflexo de uma crise que começava três anos antes.
Foi neste contexto de incertezas e contradições que ainda persiste – potencializado em 2018 por eleições gerais incomuns – que surgiu o projeto do Misto Brasília. Um empreendimento que desafiava todos os prognósticos.
Não foi difícil postar o primeiro conteúdo com seu desenho moderno no ar, mas é desafiador atualizar as notícias todos os dias, sete dias por semana, faça sol ou chuva, sendo feriado, sábado ou domingo. Não conquistamos nossa autonomia financeira, mas isso é assunto para mais dois anos.
A estrutura continua tão precária quanto antes, mas avançamos com todos os desafios inerentes a um novo negócio. O Misto Brasília chega no segundo ano com o propósito de permanecer, de calibrar um noticiário para seus internautas, centrado em tempos de tantas controvérsias de pensamentos e questionamentos.
Nossos leitores estão em Brasília, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Nordeste e em diversas partes do mundo. Nos surpreende a quantidade de acessos em Paris, por exemplo.
Ampliamos o número de colaboradores eventuais sejam como escritores ou como apoiadores de uma ideia, de um conceito. E seguimos firmes com os nossos articulistas fixos com suas visões nem sempre iguais, porque espelham uma sociedade cheia de contradições.
Assim, depois de dois anos, queremos – sinceramente – agradecer. Agradecer pelas mensagens, pelo apoio, pelos acessos e pelo compartilhamento.
Um grande abraço. E queremos continuar com a sua companhia.
