A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu nesta quarta-feira (04) um debate sobre economia com os presidenciáveis. Foram convidados os principais candidatos que pontuam nas pesquisas eleitorais: Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Podemos).
De uma maneira geral, nenhum deles foi contra as reformas que o governo Michel Temer (MDB) diz serem necessárias para colocar a economia nos eixos, como a previdenciária. As manifestações dos palestrantes foram ao encontro do que pensa a classe empresarial.
Dos seis candidatos, o mais aplaudido foi Bolsonaro por suas frases de efeito e Ciro Gomes chegou a ser vaiado quando disse que iria rediscutir a reforma trabalhista. Depois, afirmou aos jornalistas que considerou a manifestação da plateia normal, porque nem todos têm a mesma ideia.
A CNI entregou aos presidenciáveis dois cadernos temáticos que apresentam as propostas do setor para o futuro presidente. Vejam o que disseram cada um dos pré-candidatos à Presidência da República.
Jair Bolsonaro – “Sou contra as cotas (…) Não adianta inventar cotas, sou contra elas porque, a meu ver, somos iguais. Tem muitos afrodescendentes que concordam com essa ideia. Somos iguais, somos competentes. Quais são os grandes problemas e como resolvê-los sem dinheiro? Estamos praticamente insolventes. Quase todo o orçamento está comprometido. O maior problema para quem senta na cadeira do presidente é o parlamento. Pelo menos foi o que ouvi nos últimos 30 anos. O Brasil são vários Brasis. Com esse Supremo vai ficar ingovernável o país também. O sinal que dá para a população é não respeite as leis. Que evite que o nosso Supremo Tribunal Federal continue legislando, bem como o CNJ, como legislou em relação às audiências de custódia. Que o presidente que chegar lá nomeie e escale o seu time. Os anteriores colocavam terroristas e corruptos quando chegavam lá. Ou faz algo diferente ou não faz. Não é general por ser general, é pessoa competente”, acrescentou, ao destacar que general não é “incorruptível”, mas a “pressão é menor”.
Marina Silva – “Não acho que ela deva ser revogada (sobre a reforma trabalhista), acho que deve ser revisitada para corrigir essas injustiças que já haviam sido reparadas com a medida provisória. Resolver o problema da grave crise política é um grande desafio e para isso é preciso que se crie uma nova governabilidade. O presidencialismo de coalizão não resolve os problemas de hoje. Se ganhar, vou governar com os melhores. Não com os partidos. Os 200 milhões de brasileiros são maiores do que os 35 partidos. Essa vai ser a nova base, o fim do toma lá da cá, de forma transparente.
Geraldo Alckmin – “A legitimidade (das urnas) disso, a força do voto da democracia, é fundamental, e eu diria que os primeiros seis meses são essenciais para fazer as reformas que precisam ser feitas. Pegar a reforma da Previdência, excluída aumento de alíquota, é toda PEC. Tem que fazer de cara. Então a nossa equipe está trabalhando, fomos buscar os melhores profissionais para fazer as reformas. O IPI, ICMS, ISS, duas contribuições PIS/Cofins, faz uma transição ano a ano e você simplifica o modelo tributário e tendo um modelo tributário melhor é possível reduzir a carga tributária. O IVA vai fazer justiça. O IVA dilui mais na cadeia e beneficia mais a indústria e elimina o acúmulo de crédito na exportação. Nós podemos dar um passo melhor, não só o ICMS, mas juntar os cinco no IVA. A ideia não é tirar de um e dar para outro. Ter ganho de eficiência na economia. Não tem a menor dúvida, imposto de consumo tem que estar na ponta e o IVA vai trazer vários benefícios. A ideia é mudar ano a ano e trazendo os benefícios. Acho até que pode, com carga tributária menor, não ter perda de arrecadação.
Henrique Meirelles – “Isso será a primeira reforma a ser feita no Congresso Nacional. Na minha equipe já temos profissionais trabalhando no detalhamento dessa proposta. Nós temos que simplificar esse processo, alguns avanços foram feitos com a reforma trabalhista. Temos que reformar a economia brasileira, dar condições e musculatura para as empresas produzirem melhor e aí dar condições de competir mais e melhor. A gente começou a enfrentar a questão cambial e com sucesso”, disse. “Ficamos livres do FMI. Podemos ter quatro anos com presidente eleito em voto direto. Podemos colocar o Brasil na rota de crescimento por um período longo.
Álvaro Dias – “A reforma do Estado passa por um grande programa de privatização, redução das estruturas paralelas, passa pelo Congresso com a redução de deputados e senadores. Também os vereadores, buscando um legislativo mais enxuto. O modelo atual faz com que a suspeição esteja presente em todos os momentos e que a interpretação da legislação entende a circunstancias e interesse localizados. E verificamos que isso é verdadeiro. A sensação que passa, muitas vezes, é que uma minoria assalta o poder, explora o esforço coletivo de trabalhadores e empresários para preservar seus privilégios e elitismo. A República se funda nessa ideia fundamental. Ou aceitamos essa ideia para dizermos que temos futuro, ou certamente estaremos alimentando a estagnação do momento em que estamos vivendo”.
Ciro Gomes – “Meu compromisso com as centrais sindicais é trazer essa bola de volta ao meio de campo. Pois é, vai ser assim mesmo. Se quiserem presidente fraco escolham um desses que vem conversando fiado aqui com vocês. Na minha opinião, não sairemos disso com a reação tópica às fogueiras do dia a dia. Tabela de frete, dá subsídio, a política de preços. É mistificação que estamos virando o jogo, estamos afundando. O judiciário brasileiro precisa voltar para o seu quadrado, o Ministério Público brasileiro precisa voltar para o seu quadrado. Eu acho que esse estado de anarquia passou dos limites. Tem que restaurar a plenitude do poder democrático. Não é hostilidade a ninguém, mas é cada qual no seu quadrado. Parte do Judiciário começa a inovar e adotar parte do sistema anglo-saxão. Não é razoável que uma maioria simples da Suprema Corte legisle em questões centrais do país. Mas isso vai ter que ser resolvido conversando e é a política que vai ter que resolver.
