Protagonista da cena política brasileira nas últimas décadas, o MDB emergirá diferente das urnas, após outubro. Diferente e, possivelmente, menor. O “fiador da governabilidade” das administrações Cardoso, Lula, Dilma e Temer enfrenta sérios problemas.
A questão começa nos estados, onde o partido sempre foi forte. Em 1986, por exemplo, na esteira do Plano Cruzado, o MDB (então PMDB) elegeu todos os governadores, à exceção de Sergipe. O quadro hoje é outro.
Serão apenas 11 os candidatos do partido a governador. Desses, somente dois podem ser apontados como favoritos – Renan Filho, que tenta a reeleição em Alagoas, e Helder Barbalho, no Pará. Desnecessário dizer que a força de seus clãs políticos é responsável por boa parte desse favoritismo.
Ainda sobre os estados, o MDB paga o preço de gestões incompetentes e corruptas. Aqui, o Rio de Janeiro é o caso emblemático. Os governos Cabral e Pezão deixaram sequelas profundas, com dívidas e uma intervenção federal traumática. Em terras fluminenses, o MDB nem lançará candidato.
Tudo isso, é claro, deságua na disputa presidencial. O MDB entra isolado nesse jogo. Sem conseguir aliados nem ao menos no Centrão, com quem em tese tem afinidades ideológicas, o partido caminhará com o pouco popular Henrique Meirelles. Tempo de propaganda o MDB terá, mas isso é muito pouco, dada a realidade.
Para piorar, o partido e seu candidato representam como ninguém o governo Temer, com seus elevados índices de impopularidade, sua fisiologia e à sombra da Operação Lava Jato. Difícil superar essas barreiras e atingir um patamar mínimo de votos.
A esperança, então, está no Legislativo. Nesse ponto outros problemas surgem. O MDB, que foi a maior bancada federal em diferentes momentos recentes da história brasileira, enfrentará a dura competição de diversos partidos hoje integrantes do sistema político. Muitas dessas agremiações, diga-se, compostas por ex-emedebistas e com forte similaridade programática. Na cabeça do eleitor médio, trata-se de “mais do mesmo”.
De todo modo, o vencedor da corrida sucessória precisará, necessariamente, do apoio do MDB. A exceção, nesse caso, está no candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que jamais comporia com os emedebistas.
A situação atual pode levar o MDB a algum tipo de reformulação e reorientação interna. O partido seguirá em busca de seu protagonismo perdido.
