De patinho feio, há algum tempo, a cisne da lagoa nas eleições deste ano, o articulado setor da agropecuária conseguiu evidenciar seu peso político e despertou o interesse de boa parte dos presidenciáveis.
Não à toa, o setor que segurou a economia nos anos de crise e serviu de porto seguro para as instabilidades que assolaram o país foi levado em conta para a formação de boa parte das chapas presidenciais, escreve Maria Carolina Marcelo, da Reuters.
“O papel político do setor agropecuário decorre do fato de eles serem a âncora da economia brasileira. Sobretudo depois da crise, que começou justamente no último trimestre de 2014, eles viraram a solitária âncora da economia brasileira”, avaliou o cientista político da Universidade de Brasília e analista de empresas em análise de risco Paulo Kramer.
A força política do setor também decorre, na opinião de Kramer, da compreensão de seus representantes, ainda na época da redemocratização, da importância de se organizarem institucionalmente, inclusive no Legislativo do país. “Eles perceberam muito cedo, mais até do que outros setores, que era necessário eles se articularem no Congresso”, avaliou. “Por isso eles têm força e sabem se articular bem”.
