Falar da importância das eleições para governador é chover no molhado. No pleito de 2018, porém, há um diferencial – a grave situação financeira dos estados, sem precedentes na história recente do país. Os 27 governadores que assumirão em janeiro próximo terão como principal desafio administrar caixas vazios, em meio a problemas de toda ordem.
Região Centro-Oeste – O atual governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), tenta a reeleição. Ele está virtualmente empato com Eliana Pedrosa (PROS), mas tem elevados índices de rejeição. Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) também são competitivos. A eleição irá para o segundo turno.
Em Goiás, o senador Ronaldo Caiado (DEM) tem larga vantagem sobre seus adversários, Daniel Vilela (MDB) e Zé Eliton (PSDB). Político experiente e com forte apoio do agronegócio, que predomina na economia do estado, Caiado é indiscutivelmente o favorito.
Mato Grosso apresenta o governador Pedro Taques (PSDB) tentando a reeleição. Polêmico, ele está em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Mauro Mendes (DEM). O desempenho até o momento razoável de Wellington Fagundes (PR), em terceiro, pode levar o pleito para um imprevisível segundo turno.
À princípio, o MDB era o favorito no Mato Grosso do Sul. Porém, a prisão de André Puccinelli e a subsequente desistência da senadora Simone Tebet levaram o partido a optar pela candidatura de Junior Mochi. Melhor para o PSDB, que lançou Reinaldo Azambuja, e o PDT, que saiu com Odilon de Oliveira. A eleição está polarizada entre os dois.
Região Sudeste – No Espírito Santo, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) aparece como franco favorito. As finanças estão relativamente saudáveis, o que facilitará o trabalho do vitorioso.
Já Minas Gerais vive outra realidade. A crise fiscal é uma realidade, o que dificulta a vida do governador Fernando Pimentel (PT), candidato à reeleição. Apesar de liderar as pesquisas, seu índice de rejeição é elevado e o principal oponente, Antonio Anastasia (PSDB), pode virar o jogo até outubro.
O Rio de Janeiro simboliza como ninguém o quadro de penúria dos estados. Virtualmente quebrado e com tradicionais lideranças presas ou investigadas pela Justiça, o Rio divide-se em três candidaturas bastante conhecidas – Eduardo Paes (DEM), Romário (Podemos) e Anthony Garotinho (PRP). Não há um favorito e a única certeza é que ocorrerá segundo turno.
Por fim, São Paulo assiste a uma acirrada disputa entre João Dória (PSDB) e Paulo Skaf (MDB), com o atual governador Márcio França (PSB) correndo por fora. Para os tucanos, a vitória no estado tem grande valor simbólico, pois o partido está no comando desde 1995.
Região Sul – No Paraná, Ratinho Júnior (PSD) lidera as pesquisas, seguido por Cida Borghetti (PP), que tem uma das campanhas com mais recursos financeiros do país. O tradicional MDB concorre com João Arruda, que acompanha os líderes à distância. O fato mais relevante é que o próximo governador deverá mudar pouco as diretrizes da gestão do atual titular, Beto Richa (PSDB).
Também sofrendo os efeitos da grave crise fiscal, o Rio Grande do Sul assiste a uma disputa acirrada. O atual governador, José Ivo Sartori (MDB), lidera as pesquisas, mas apresenta elevados índices de rejeição. Assim, Eduardo Leite (PSDB), Miguel Rossetto (PT) e Jairo Jorge (PDT) têm chances de surpreender. Cabe lembrar que, em terras gaúchas, a reeleição é exceção, não a regra.
Santa Catarina assiste a uma disputa entre Décio Lina (PT) e Mauro Mariani (MDB). O terceiro postulante, Gelson Merísio (PSD), tem a seu favor a ampla coligação e a força no interior do estado. Disputa em aberto.
Conclusão – Está claro que, no próximo quadriênio, os governadores precisarão realizar um esforço hercúleo para equilibrar suas contas. Para isso, os chefes dos Executivos estaduais precisarão de amplo apoio das assembleias legislativas e também da opinião pública.
Além disso, será necessário um amplo entendimento político com o Congresso Nacional e com o novo governo federal. As tão urgentes reformas necessariamente precisarão ser discutidas com seriedade, e os novos governadores serão peças fundamentais nesse processo. Por fim, as campanhas em curso não poderão ter como base promessas irrealizáveis. O eleitor, desiludido com a política e sentindo na pele os efeitos da crise econômica, não aceitará “fantasias”.
