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Maioria das mulheres ainda está indecisa

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Maioria do eleitorado (52,5%), as mulheres também são a fatia mais indecisa e resistente na hora de escolher quem será o próximo presidente do país. Segundo a última pesquisa Ibope, divulgada na segunda-feira (25), quando questionadas sobre em qual candidato votariam se a eleição fosse hoje, 8% disseram não saber, e 15% afirmaram que marcarão branco ou anularão o voto no primeiro turno das eleições.

“As mulheres têm demorado a anunciar sua adesão a candidaturas por várias razões, mas isso não significa que elas estejam demorando a formular suas escolhas. Inclusive, a demora em definir os representantes pode ser um indício de que as mulheres estejam formulando escolhas políticas”, avalia Cibele Cheron, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Mulher e Gênero da da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conforme registrou a DW.

Não há explicações que apontem o motivo que leva as mulheres a formarem, tradicionalmente, o último grupo a decidir o voto, mesmo quando a pesquisa é estimulada (na qual o entrevistador apresenta o nome dos candidatos ao entrevistado). Enquanto 23% do eleitorado feminino está indeciso, apenas 13% dos homens não sabem (4%) ou apontam nulo ou branco como opção (9%).

Um dos motivos para indecisão poderia ser que as candidaturas presidenciáveis não apresentam uma plataforma que as beneficie ou que elas estão indecisas porque vão atrás dos programas de governo dos candidatos, são mais criteriosas na escolha e demorariam mais para avaliar em quem votar. Ibope e Datafolha não perguntam as razões, só apontam um percentual.

Na última pesquisa Datafolha, publicada no dia 20 de setembro, ao responder de forma espontânea (quando o entrevistador não apresenta as opções de voto ao entrevistado) para presidente, 51% delas revelaram não ter candidato (38% disseram não saber e 13% afirmaram que votarão branco ou nulo).

Ao mesmo tempo em que é um dos focos do debate público, a mulher segue sub-representada na esfera política, e há poucas propostas que atendam diretamente a demandas básicas, como garantir que recebam o mesmo salário que um homem ao exercer função semelhante. Mais que isso, nesta eleição elas temem perder direitos conquistados.

“A complexidade, assim reconhecida, faz com que as mulheres possam perceber que os mecanismos de representação política falham. Há uma diferença grande entre representação e representatividade, e é na falta de representatividade que as falhas da representação vêm aparecendo”, aponta a pesquisadora Cibele Cheron.

Sobre a dificuldade de escolher o próximo presidente, ela aponta uma contradição: a maior parte do eleitorado brasileiro é composta por mulheres, enquanto o Brasil tem o pior percentual de representação feminina da América do Sul. “Embora as eleitoras reconheçam a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços políticos institucionais, defendendo pautas compartilhadas por mulheres, a definição dos candidatos ou candidatas é feita tendo em vista construções identitárias”, explica.

Em outras palavras: não é pelo simples fato de ser mulher (ou negro ou LGBTQ+) que o indivíduo automaticamente se identifica com questões ligadas ao grupo social que, conforme estereotipação naturalizada, ele compõe.

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