Marcada por turbulências que variaram da expectativa em torno de decisões judiciais sobre a candidatura do ex-presidente Lula da Silva ao ataque a faca contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a eleição presidencial de 2018 chega ao primeiro turno neste domingo com a expectativa de levar à rodada decisiva de votação um duelo entre petismo e antipetismo, escreveu Eduardo Simões, da Reuters.
Diante de uma polarização que só fez acirrar nos últimos meses, mais de 147 milhões de eleitores estão aptos a votar nos 5.570 municípios do país e devem dar a Bolsonaro a maior votação entre os postulantes ao Palácio do Planalto, seguido pelo petista Fernando Haddad, que substituiu Lula após o ex-presidente ter a candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa, de acordo com as pesquisas de intenção de voto.
Levantamento do Datafolha divulgado no sábado mostrou Bolsonaro com 40% dos votos válidos, seguido por Haddad com 25%. Sondagem do Ibope, também divulgada na véspera do pleito, colocou o candidato do PSL com 41% dos votos válidos, enquanto o petista somou os mesmos 25% apontados pelo Datafolha.
Mais atrás, Ciro Gomes, do PDT, teve 15% no Datafolha e 13% no Ibope, enquanto o tucano Geraldo Alckmin somou 8% dos votos válidos em ambos institutos.
Confirmado o cenário apontado pelos institutos de pesquisa, Bolsonaro e Haddad deverão fazer um segundo turno plebiscitário, na avaliação de analistas. De um lado o petismo manifesto na figura de Lula e representado pelo ex-prefeito de São Paulo Haddad. De outro, o antipetismo, até 2014 encarnado pelo PSDB, mas que agora tem no ex-capitão do Exército Bolsonaro seu maior expoente.
“A principal mudança de 2018 é a alteração no antipetismo. O antipetismo que se chamou PSDB de 1994 a 2014 passou a se chamar Jair Bolsonaro”, disse o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.
O antagonismo ao PT, partido que venceu as quatro últimas eleições presidenciais, tem sido um dos eixos centrais do discurso de Bolsonaro. Durante a campanha, em evento no Acre, ele sugeriu “fuzilar a petralhada” do Estado, enquanto simulava uma metralhadora com um tripé de câmera de vídeo.
