Extraordinário que um ministro da Suprema Corte, que durante longo tempo assegurou por liminar a presença no país de Cesare Battisti, decida, não mais que de repente, por si e sem ouvir o Plenário, revogar a garantia, para facultar-lhe a prisão.
Significativo também que o atual presidente da República, que tampouco jamais se incomodou com essa realidade irritante para velhos amigos internacionais, decida extraditá-lo, tudo isso em um período de crepúsculo de um governo e alvorada de outro, cujo líder também já anunciara tal extradição.
A par de ser estranho que se anuncie oficialmente ao extraditando que ele vai sofrer a medida apregoada, o que lhe enseja a evasão até agora em curso, cabe analisar porque o novo presidente abriu mão em silêncio de medida de tanta repercussão, para cedê-la por cortesia a quem agoniza no poder sem nada mais ter a anunciar.
No entanto, a Bolsonaro interessa afagar Temer, com o que atrai para si a famosa base aliada de que se precisa para votação da reforma da Previdência. E a Temer, mais do que a ninguém, por esse preço módico interessa tornar-se de súbito uma personalidade popular na Itália e respeitado por seu presidente, premissa para que alguém pretenda representar um País como o Brasil, tendo se esquecido todos, no entanto, de que se a Itália mantém o repúdio a Battisti, o Brasil também conserva sua opinião desfavorável a Temer, que gostaria de ver na cadeia e não nas delícias do Palácio Doria Pamphilj, na Praça Navona, em Roma.
Esqueceram todos mais uma vez e como sempre de combinar com os russos, que somos nós, e que desejamos na cadeia não apenas Battisti como também o nefasto presidente Michel Temer.
Está aí portanto o balcão de negócios alçado a seu mais alto nível, com embaixadas em troca de prisões e tendo como prêmio maiorias parlamentares, ofertadas por quem já sujou as mãos e poupando disso aquele que até agora se apresenta como paladino das causas puras, o novo presidente.
Tendo eu apoiado aqui reiteradas vezes o presidente Bolsonaro, em quem acredito, sinto-me à vontade para alertá-lo de que se o caminho acima descrito for por ele percorrido, jamais se recuperará no apreço do povo que vê nele mais um Messias do que um Bolsonaro e mergulhará numa trilha de risco que as Forças Armadas, de que sou Grande Oficial e acredito conhecer bem, não poderão suportar.
O Brasil não quer soltar o italiano nem deixar impune o brasileiro.
Quer prender os dois e espera que o Judiciário e o novo ministro da Justiça deixem claro que não estamos numa brincadeira de roda pião, mas no preciso momento de lançar em cavalgada os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
Os preços parlamentares têm que encontrar agora e já o seu limite e seu fim.
