Eu me deixei contaminar com uma espécie de alegria com a mudança drástica de poder. Não foi um processo rápido. Comecei cética, ao mesmo tempo aliviada com a prisão de Lula. Por outro lado, sem perspectivas. Não considerava Bolsonaro o melhor candidato tampouco achava que ganharia. Decidi, de início, votar em Amoedo.
Não achava que ganharia, mas seus princípios econômicos, liberais, me deixavam animada diante da burrice estatizante da esquerda. Mas havia questões mal resolvidas em relação ao Novo, apesar de Amoedo, pessoalmente, ter-se declarado conservador em relação a alguns pontos que para mim eram importantes, como a questão do aborto.
Fui filiada ao Novo por um curto período de tempo, então achei que era uma escolha sensata, apesar de temerosa. Via a manifestação de alguns membros do partido e confesso que me perguntava como questões de ordem moral ficariam num eventual governo. PSDB estava fora de questão, chama o Meirelles também, então estava resolvido.
Via a “onda Bolsonaro” avançar e me perguntava o que as pessoas viam nele. Realmente. Mas ali estava um homem que tinha coragem de se expor ao ridículo, aos insultos, às críticas e a toda pilhéria para defender uma agenda contrária à esquerda. Quando do atentado que sofreu, fiquei boquiaberta. No que via fragilidade, comecei a ver força. Vi perseverança e integridade de caráter.
Bolsonaro tem um caráter sanguíneo, diz coisas sem pensar, mas em nenhum momento nega ideias consideradas ridículas pelo mainstream.
Então, acordei. Era isso que eu queria. Alguém que de fato ameaçasse a esquerda canalha e sua ideologia cretina. Decidi mudar meu voto e abracei a candidatura do capitão. Além de tudo, sua proximidade com os evangélicos também contou para que eu decidisse mudar.
Entendi que desde a campanha de 1989 nada me entusiasmava tanto. Só que em 1989 eu estava do outro lado, agora eu via tudo com mais clareza. Agora, depois de 15 anos de PT, de destruição moral, ética, social e econômica no Brasil.
Contra isso Bolsonaro ganhou. Ele sabe que se não fizer um bom trabalho, o PT volta. Em sua luta solitária, que começou antes mesmo dos últimos quatro anos, sua crítica sempre foi certeira, ainda que muitas vezes só e mal vista.
Até nos momentos em que perdeu a paciência, disse o que devia ser dito, estabeleceu a polêmica necessária. Eu creio que este será um governo memorável. Posso até estar errada, mas sinto uma alegria desmedida com este primeiro de janeiro de 2019.
É colocar as coisas no seu lugar, é arrumar a casa, é restabelecer a ordem e buscar o progresso. Feliz 2019, 2020, 2021, 2022…
