Sim, elegemos Bolsonaro. Mas, e os outros poderes? Renan no Senado, Rodrigo Maia na Câmara? É isso mesmo? STF só por milagre divino vai mudar agora. Ah, então tá.
Mudamos radicalmente o Executivo e mantemos no Congresso um manda-chuva que nada no poder desde Collor de Melo presidente? Eu estou esperando, sim, que o presidente se articule por meio de Ônyx Lorenzoni e vire esse jogo.
STF mandou a bola para o Senado, mas não é verdade que temos base por lá? Que temos como conversar, traçar estratégias e mudar o jogo? Ou a hora é de trazer o inimigo como aliado?
Ora, o mesmo aliado que ontem foi inimigo, poderá ser inimigo amanhã. Porque se move unicamente por interesses pessoais, tem um caráter vendável. Serão quatro anos turbulentos, com muitas possibilidades de revezes.
É o primeiro ano de Bolsonaro na presidência, penso que haverá forte oposição. Ainda que dela se desdenhe, cabe pensar somente “na hipótese de”. Porque de “na hipótese de” a “na hipótese de”, eles desdenharam de toda uma construção ideológica e prática que lhes era estranha, e perderam as eleições e a moral.
O que negociar, com Renan? Blindagem às ações da Operação Lava Jato, pensaria ele? Mas não negociamos isso. Não estamos juntos para isso, não queremos que critérios turvos norteiem nossas decisões políticas.
Não queremos mais do mesmo. Renan Calheiros? É mais do mesmo: foi aliado fiel de Lula e do PT durante absolutamente todos os 16 anos de PT no poder, inclusive com Temer.
Antes, era aliado de Collor. Agora, bem que poderia se aliar à Polícia Federal e topar uma delação premiada. Não quero ficar apreensiva quanto a isso, mas já estou. Sabemos quão importante é o Congresso para a governabilidade, mas que preço nos pedirão por isso?
