O palco estava montado, os holofotes acesos. O ator principal não deixou de comparecer. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o ministro da Economia, Paulo Guedes, protagonizou o mais importante evento político da semana.
O roteiro era previamente conhecido e não tinha nada de novo. Em mais de seis horas de sessão, os deputados de oposição atacaram duramente o ministro, centrando fogo no conteúdo da proposta de reforma da Previdência.
Guedes até que começou bem sua exposição, mas pecou por certa soberba. Em diversos momentos não anotava os questionamentos dos parlamentares nem registrava seus nomes. Um pecado capital em uma Casa de egos inflados. (O Misto Brasília transmitiu ao vivo a audiência pública)
A gota d’água ocorreu quando o petista Zeca Dirceu acusou o ministro de ser “tigrão” com os aposentados e “tchutchuca” com os privilegiados do país. Guedes mordeu a isca e, destemperado, quase partiu para a agressão física. Ambiente pior, impossível.
É importante ressaltar que a esquerda conta com pouco mais de 100 deputados, em um universo de 513. Ela não tem votos para barrar a reforma da Previdência, mas sabe fazer barulho e se utiliza do Regimento Interno com sabedoria.
Saltou aos olhos de todos a fraqueza do líder do governo na Casa, deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO). Tímido e pouco articulado, ele não foi capaz de conter minimamente os ataques da esquerda ao ministro. Seu posto certamente está em xeque.
Agora, resta averiguar o impacto da sessão da CCJ sobre a tramitação da proposta. Impopular por si só, a reforma da Previdência pode ter sofrido novo e importante abalo após a apresentação do ministro. O quadro ficará mais claro nos próximos dias.
Para concluir, ficou evidente que Guedes não tem vocação para cuidar da articulação política, como muitos aventam. Ele é um técnico, com pouco traquejo para o dia a dia do mundo político. O recado foi dado ao Planalto.
