O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comentou em tom de ironia a sugestão do presidente Jair Bolsonarto (PSL), de num futuro criar uma moeda única entre o Brasil e a Argentina, a exemplo do que ocorreu na Europa com o euro. Bolsonaro citou a comunidade europeia na Argentina para comentar que “pode acontecer o peso real aqui”.
Maia em mais um episódio de enfrentamento público entre o Executivo e o Legislativo, publicou seu comentário com várias perguntas: “Será? Vai desvalorizar o real? O dólar valendo R$ 6,00? Inflação voltando? Espero que não”. O deputado pertence ao partido que tem três dos 22 integrantes no Ministério (Luiz Mandetta, saúde; Onyx Lorenzoni, Casa Civil, e Teresa Cristina, da Agricultura). Tem feito um discurso em favor da reforma da Previdência, mas a PEC patina na Câmara desde fevereiro.
“Meu forte não é economia, mas acreditamos no feeling, na bagagem, no conhecimento e no patriotismo do Paulo Guedes, ministro da Economia, nessa questão também”, afirmou Bolsonaro sobre amoeda única.
O deputado tem feito uma sequência de postagens no Twitter que resvalam nas ideias de Bolsonaro. Ontem à tarde, por exemplo, republicou uma postagem da GloboNews em que afirma textualmente que “projeto que prevê acabar com multa para criança fora da cadeirinha não deve ser aprovado”. A GloboNews tem sido um canal regular para Maia “plantar” notícias de seu interesse.
Como se sabe, o presidente mandou um projeto para o Congresso alterando o Código Nacional de Trânsito e numa dessas mudanças, isenta de multa o motorista que não utilizar a cadeirinha para a criança.
A divergência segue adiante. Há três semanas, o ministro da Economia Paulo Guedes disse que o governo enviaria ao Congresso uma nova proposta de reforma tributária.
Novamente Maia entra no assunto: “Fizemos hoje (ontem) mais uma reunião com os economistas Bernardo Appy, Marcos Mendes, líderes e o autor da PEC da reforma tributária, Baleia Rossi (líder da bancada do MDB na Câmara). Vamos simplificar impostos e recuperar a economia do nosso país”.
A aprovação da PEC do orçamento impositivo, realizado em duas sessões numa mesma tarde nesta semana, colocou também o governo em situação delicada. Mas o presidente da Câmara comemorou:
“Aprovamos em segundo turno o orçamento impositivo. Essa proposta otimiza e democratiza o gasto público. Nós vamos ter o poder de aprovar o próximo orçamento, as políticas públicas do governo, os investimentos. O Parlamento recompõe a sua prerrogativa”.
A história do euro – Iniciou-se em 1957, com a assinatura do Tratado de Roma e a criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), entre Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. O tratado estabeleceu o Mercado Comum Europeu com a finalidade de assegurar o progresso econômico e contribuir para uma união cada mais estreita entre os povos europeus.
Nos 30 anos seguintes, seis outros países aderiram à CEE. Em 1973, Reino Unido, Irlanda e Dinamarca; em 1981, Grécia; e, em 1986, Portugal e Espanha. Em 1995 foi a vez da Áustria, Finlândia e Suécia.
Uma conturbada sessão noturna em Bruxelas decidiu, no dia 2 de maio de 1998 (na realidade já era o dia seguinte, pois passava da meia-noite), que a União Europeia teria uma moeda comum. Entre 1994 e 1999 foi criado o Instituto Monetário Europeu e aprovado o nome euro para a moeda única.
