O cantor baiano João Gilberto, ícone da bossa nova, morreu neste sábado (6). Ele deixa três filhos, João Marcelo, Bebel e Luisa. A causa da morte não é conhecida.
O filho do cantor postou no Facebook sobre a morte do artista. “Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda da soberania”, escreveu. “Eu agradeço minha família (meu lado da família) por estar lá para ele,e Gustavo por ser um amigo verdadeiro para nós, e cuidar dele como um de nós. Por fim, gostaria de agradecer Maria do Céu por estar ao lado dele até o fim. Ela foi uma verdadeira amiga e companheira dele”.
Foi o autor de Chega de saudade, disco de 1958 que influenciou “toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores”, como disse Tom Jobim. João Gilberto encontrava-se há anos com a saúde debilitada e os familiares envolvidos numa disputa relativa à sua tutela.
Nascido há 88 anos na Bahia, cedo mostrou ouvido apurado. Aos 14 anos recebeu a primeira guitarra. Quatro anos depois dedica-se profissionalmente à música.
Em 1953 gravou a primeira composição, Você esteve com meu bem, com Russo do Pandeiro. Em 1957, Gilberto muda-se para o Rio de Janeiro e dá-se a explosão da bossa nova, com Chega de saudade, canção escrita por Vinicius de Moraes (letra) e Tom Jobim (música), primeiro em formato single, e depois no longa duração homónimo, já em 1959.
Nesse mesmo ano casou-se com a cantora Astrud Gilberto, com quem teve o filho Marcelo.
No ano seguinte grava O amor, o sorriso e a flor. O LP, com o tema Samba de uma nota só, de Tom Jobim, marca a chegada da bossa nova a outros mercados, como o norte-americano. O ritmo original de João Gilberto é motivo de curiosidade por parte dos inovadores do jazz. É com um deles, Stan Getz, que grava os discos Getz/Gilberto e Getz/Gilberto #2, tendo o primeiro sido premiado nos Grammy.
João Gilberto continua a sua carreira entre Nova Iorque e o Rio de Janeiro nas décadas de 60 e 70. Do segundo casamento, com a cantora Miúcha, nasce Isabel, Bebel Gilberto para o mundo.
