Na decisão em que autorizou a Polícia Federal (PF) a prender, em caráter temporário, quatro suspeitos de violar o sigilo telefônico de várias autoridades públicas, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, revela que os investigados foram identificados a partir da perícia inicial do telefone celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.
Segundo o magistrado, a quebra do sigilo telefônico e das mensagens eletrônicas de suspeitos já tinha sido autorizada antes a pedido da autoridade policial para permitir o “levantamento de informações acerca do procedimento de intrusão do telefone celular do ministro”. Isto possibilitou aos investigadores deduzir como os suspeitos teriam agiram, publicou a Agência Brasil.
“Com base nos registros cadastrais fornecidos pelos provedores de internet foram identificados os moradores nos endereços onde estariam localizados os IPs de onde partiram os ataques. São eles: Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Walter Delgatti Neto”, comentou o juiz.
A Polícia Federal informou que um dos presos temporariamente acusados de hackear o telefone de autoridades públicas confessou o crime. Walter Dalgatti Neto, principal suspeito do caso, admitiu ter invadido o aparelho do ministro Sergio Moro e de membros da força-tarefa da operação Lava Jato, de acordo com informações são do jornal O Estado de São Paulo.
O suspeito é crítico do presidente Jair Bolsonaro e do ex-juiz Sergio Moro no Twitter. Além disso, demonstrou conhecimento de informática ao responder postagem de Deltan Dallagnol sobre a Vaza Jato na mesma rede social: “Mesmo apagando tudo, os caches ficam no celular, eles são arquivos fragmentados, sem o conteúdo das mensagens, mas com todas saídas e entradas de mensagens”, afirmou.
O PT divulgou uma nota na noite passada na qual afirmou que o inquérito que apura a atuação de supostos hackers para invadir o celular do ministro se tornou uma “armação” contra o partido. A nota foi divulgada após Ariovaldo Moreira, advogado do DJ Gustavo Henrique Elias Santos, um dos presos pela Polícia Federal, ter dito que o cliente afirmou que a intenção de Walter Delgatti Neto, apontado como o hacker que invadiu os celulares de Moro e outras autoridades, queria vender ao PT as mensagens que obteve, segundo publicou o G1.
