Fui abordado por um vigia sobre a situação política do País. Ele estava preocupado com as consequências das notícias da Argentina e as decisões do Congresso Nacional.
A manifestação representa o grau de envolvimento da população brasileira com os rumos do país. A classe política, os mandatários e a casta do Judiciário não têm a verdadeira dimensão do que ocorre na vida real. As recentes manifestações e decisões indicam para esse entendimento espúrio.
Na reforma da Previdência, por exemplo, os privilégios continuam. No Senado, há um complô para que não se investigue o Judiciário, aparentemente uma troca para aliviar investigados de grosso calibre.
Acordos suspeitos estão sendo fechados nos gabinetes numa rota que pretende desaguar nas eleições presidenciais de 2022. O jogo perigoso político-eleitoral tem como marca a conquista ou a reconquista do poder. – E se Lula for solto? – pergunta o preocupado o vigia referindo-se à extinção das condenações do ex-presidente. A esta altura do campeonato, nada me surpreenderia.
A aprovação do projeto de abuso de autoridade é a ponta desse grande acordo das elites partidárias. Partidos como o PT, PCdoB e o PSol, se aliaram a lideranças pernósticas do MDB, do Democratas e do PP, por exemplo. O objetivo é claro: botar o coturno na cabeça do combate à corrupção. Só não vê essa articulação quem não quer.
Há um movimento do establishment, com o apoio das direções de grupos de comunicações, para inverter o jogo. Querem debitar as mazelas e as dificuldades da economia dos últimos seis anos na conta da Operação Lava Jato. Sim, houve tropeços nesses processos, mas nada que prejudique as condenações até agora referendadas em diferentes instâncias.
Há um jogo perigoso de responsabilidades que deixa preocupado o vigia do colégio – e tantos outros cidadãos.
Há uma movimentação subterrânea facilitada pelas maluquices verborrágicas e atitudes do presidente Jair Bolsonaro. Despreparado para ocupar o cargo máximo da República, o líder do PSL, num futuro próximo, vai se tornar refém das elites partidárias e judiciais.
O caminho já está bem pavimentado.
