Ícone do site Misto Brasil

Senador acusa Exército de “provocar terror” no interior do Pará

Pará Terra Ituna índios

Mapa da região onde estaria ocorrendo supostos abusos do Exército contra moradores/Reprodução

O senador Zequinha Marinho (PSL-PA) acusou hoje o Exército de atear fogo e matar animais domésticos que pertencem a moradores na área da Terra Indígena Ituna/Itatá, na bacia do rio Xingu, no Pará. O parlamentar afirmou que soldados do Exército estão no local “provocando terror” e pediu que o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, dê explicações sobre o incidente e também sobre da atuação do Instituto Social Ambiental no local.

No final da tarde, a assessoria do parlamentar foi procurada para dar mais informações sobre os supostos abusos e apresentação de fotos, mas não retornou com as respostas. O senador é o presidente da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).

O parlamentar acusou o Instituto Socioambiental de patrocinar a demarcação da terra onde não existe índio, “muito menos” de índio isolado. No site da entidade, informa-se que a ação de grileiros se “intensifica, colocando em risco indígenas em isolamento voluntário que vivem na região e Terra Indígena, vizinha TI Koatigeno”.

O Misto Brasília ligou para o telefone celular indicado como o de plantão do Centro de Comunicação do Exército, mas ninguém atendeu a ligação. O site também encaminhou uma solicitação por e-mail para que a instituição se pronuncie sobre a acusação. A Terra Indígena está localizada entre os municípios de Altamira e Senador José Bonifácio e, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), encontra-se em situação oficial de reconhecimento com restrição de uso. Há uma portaria sobre essa área datada de 25/01/2019.

A restrição impede a circulação de não-indígenas na região e destina seu uso exclusivo aos grupos isolados que ali vivem. De acordo com o Instituto Sociombiente, são pessoas que evitam qualquer contato com não-indígenas e mesmo com outros indígenas. Em 9 de janeiro passado, a portaria que cria a restrição de uso da área foi renovada por mais três anos.

No pronunciamento, Zequinha Marinho disse que as ONGs “estão mandando” no Pará. Logo depois, o senador Paulo Rocha (PT-PA) pediu explicações ao colega sobre essa afirmação. “Que história é essa de dizer que as ONGs mandam no Pará?”, questionou para emendar que Zequinha foi vice-governador e que por isso deveria se explicar melhor.

Sair da versão mobile